E ali começava o segundo dia do fim de semana fatídico. Vivian tinha levado Eddie para casa, e esperado seu tio a noite inteira. Mas ele não voltara, tampouco ela descobriu alguma forma de acordar o namorado. Ele continuava ali, em coma, como se estivesse morto; a não ser sua respiração. Acabou adormecendo ao lado dele, deitada no tapete do quarto. E era quase 6 da tarde quando acordou, assustada com a hora.
- Tia, cadê meu tio?
- Ele me disse que foi viajar, Vivian. Tinha que ir pra Seattle atrás dos negócios da firma, e ia pegar o avião ontem.
- Mas ele falou quando voltava?
- Disse que no máximo até segunda feira. Ele ia ver o irmão dele também.
- Ah, tudo bem.
E ela ficou atordoada com isso. Quem poderia lhe ajudar agora? Ia falar com Howie mais tarde. Apesar do Hell's Kitchen lhe parecer um lugar amaldiçoado agora, depois da última noite. -//-"Em que raios de lugar eu tô?", primeira coisa que Eddie pensou ao acordar. Ele se levantou, e tudo que viu foi um campo de girassóis imenso, que parecia não ter fim (ou pelo menos ia até o horizonte), e um simples caminho prateado perto de onde ele estava, cortando tudo aquilo, como uma estrada. O céu mais estrelado que ele já vira em toda sua vida, sem nuvens, e nada para o cobrir. Uma imensa lua cheia brilhava exatamente no centro da abóbada celeste, iluminando bastante a noite. Paisagem mais linda que ele tinha visto (ou chegaria a ver) na vida.
Sem muitas perspectivas em relação a ficar parado ali, resolveu começar a andar no caminho prateado. Para pelo menos encontrar alguém, ou chegar a algum lugar. Por cerca de quatro horas, não foi o que aconteceu. Apenas girassóis. E o mais estranho para ele é que não havia cansaço físico nenhum, apenas o tédio de andar, andar e não chegar a lugar algum.-//-Alice olhou fixamente para o teto de seu quarto, ao instintivamente despertar. E não se lembrava de absolutamente nada da última noite. Sua memória mais recente era estar sentada com Locke, na beirada do prédio. E só. Não sabia o que acontecera com Reich ou Raposa, tampouco como chegara em casa. As dúvidas permeavam sua mente, e haviam tantos lugares aonde ela poderia encontrar respostas, que tampouco sabia por onde começar. Pensou, pensou, e decidiu-se. Iria visitar seu velho amigo Seth Reel, conhecido por ser um excelente negociador. Um negociador de informaçoes e segredos.-//-E Brett acordou, deitado em sua cama, se sentindo um pouco estranho. Já era de noite, e ele sentiu uma fome absurda. Olhou para o lado procurando por Mary, e tudo que achou foi um bilhete em cima do criado mudo, "Boa sorte, meu querido. Acho que você vai precisar". Foi até a geladeira pegar alguma coisa pra comer, tudo que tinha ali eram algumas frutas. Logo pegou uma ameixa e mordeu, mas na hora de engolir... foi estranho. Parecia não descer. Ele fez um esforço a mais, e logo vomitou. "Que droga está acontecendo?", pensou o mesmo ao não conseguir comer nada, tampouco beber um simples gole de água.
E então a campainha tocou. "Seu Brett!", era o porteiro, querendo uma coisa qualquer. Meio atordoado ainda, ele foi e abriu a porta. Foi quando olhou, por reflexo, para a jugular saltada do gordo funcionário, que percebeu que só queria um tipo de alimento. A Fome o descontrolou, ele puxou o humano para dentro e primeira coisa que fez foi morder seu pescoço.
Aquela sensação sim, era boa. O líquido descia como algo enebriante, aquecendo todo seu interior, lhe revigorando. Foi sem querer, mas chupou o porteiro até a última gota. Só depois que tomou consciência do que tinha feito, o desespero lhe bateu à cabeça. Não conseguia raciocinar direito. Escondeu o corpo no banheiro, e logo começou a arrumar suas coisas, mais por instinto do que por saber o que estava fazendo.-//-
Uma parede invisível, era o que parecia a coisa que surgiu no meio do caminho prateado. Eddie olhou, pensou. O jeito seria sair e andar por fora dele, para o meio dos girassóis. Sua sorte foi que viu uma casinha de madeira, uns 100 metros adiante, em uma pequena depressão. Assim que ele saiu do caminho, viu uma estrela vermelha, aparentemente macabra, brilhando no céu. Era a única, parecia macular toda aquela perfeição.
"Enfim, dane-se, vamos ver quem eu encontro ali na cabana"; e não encontrou ninguém. Bateu, gritou, tudo em vão. Ao seu redor (e desde que chegara ali) não viu ninguém, então resolveu arrombar mesmo a porta. Ling Ariser, adormecido (ao menos o que parecia) e com as mesmas roupas, estava ali. Além dele, uma pequena mesa, uma cama, um armário de madeira, e só. Exatamente como Eddie sempre imaginara uma cabana no meio do nada.
Tentou acordá-lo, mas percebeu que ele não estava dormindo. Ele estava morto.
-//-
Sua coleção do The Juliana Theory (discografia completa e autografada, incluindo o Live e o EP), iPod, roupa para uns três ou quatro dias, e o diário. Sim, Brett tinha um diário. Com só essas coisas na mochila, pegou a chave do carro e a de casa, e saiu. Tinha que ir até o estacionamento do Kitchen ainda para pegar o Porsche e seguir na estrada. Então, era melhor chegar lá rápido.
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