domingo, 29 de março de 2009

Capítulo 12: P.S. We'll Call You When We Get There

- Se não é minha amiga Alice Scott... o que deseja?
Seth Daniels Cuervo, também conhecido como Seth Reel por alguns, e seu sorriso picareta de sempre. Ela nunca tinha visto ele sem essa expressão no rosto.
- Os babados da noite passada. Qual o preço?
- Agora exatamente não quero nada. Fica na conta, o que acha?
Ela pensou por alguns momentos. Bem, não tinha nada a perder, e esses lapsos de memória realmente lhe incomodavam. Precisava saber o que fazer em relação ao Raposa, ou em quem podia confiar além de Locke nesses momentos críticos. "Tudo bem, fazer o que..."
- Então entre, sofá, fique a vontade. Vou pegar um drinque para a gente.
Logo ele voltou, e começou a falar sobre as últimas 24 horas. Era incrível a capacidade dele, de saber de tudo o que acontecia no pequeno mundo sobrenatural à parte de Los Angeles.

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"Tudo começou porque Raposa queria acertar as contas com Eddie Reel, o único que tinha enganado o vampiro mais poderoso da cidade e escapado ileso. Mas, para conseguir isso, ele teve que quitar sua dívida com uma antiga quimera, a qual ele tinha prestado favores anos atrás.
- Quimera?
- Ah sim Alice, são criaturas do Sonhar, o mundo paralelo das fadinhas alegres e saltitantes, e tudo mais. Mas bem, sonhos às vezes se tornam pesadelos, você sabe. Enfim, foi o único jeito que ele descobriu de realmente afetar Eddie. E, como isca, teve que levar a namoradinha dele. Encontrei ela ontem, aliás. Olhos cor de mel, all-star cáqui, maquiagem triste. O que aconteceu foi que ela foi resgatada, pelo duque Ariser. Lembra dele?
Ao invés de lembrar do tal duque, ela lembrou foi da garota. Apenas alguns flashes, ela lhe pedindo um cigarro, "burguesinha".
- Sim sim, continue.
- Então a namoradinha do Eddie fugiu, o duque bateu no seu "patrão", Raposa também fugiu, foi atrás dela, aí encontrou o Eddie, finalmente. Foi então que ele invocou a quimera, que levou o duque feérico para o Sonhar, e a consciência do carniçal também. Então o velho Reich apareceu, criou uma ilusão, e lutou com o Raposa na frente do Hell's Kitchen. Você viu, você e Locke estavam observando tudo de uma janela ali perto. Se esforce pra lembrar, eu sei que você consegue...
Mas o branco continuava. Por algum motivo estranho.
- Mas no final das contas, quem venceu, Raposa ou Reich?
- Nenhum, na verdade. Os dois perderam. Raposa ficou extremamente ferido, e só conseguiu escapar graças à quimera, que também o levou para o Sonhar. Se ele não se recuperou ainda, provavelmente está preso lá. E o velho mago criou mais Paradoxo do que devia, e teve que sair da cidade, encontrar uns colegas de irmandade, para poder juntar Essência e estabilizar sua realidade novamente.
- Sim, sim... mas agora quero os detalhes por trás de tudo. Você sabe me dizer?
- Você sente que sim, não é? E claro que eu sei. Pois bem, vamos começar então, sobre como Raposa conseguiu uma quimera e como conseguiu ferir alguns com ela.

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Vivian, era o que ele mais tinha pensado nas últimas horas. Ainda mais depois de ver o Duque, que tinha salvado a vida dela, morto. E ele nem tinha conseguido agradecer. Como estaria ela? Eddie se sentiu totalmente impotente, com a única vontade de sair daquele lugar (que ele suspeitava ser o reino das fadas, sem saber que estava certo), e poder vê-la de novo. Fazer Raposa pagar pelo que fez já tinha se tornado assunto secundário. Saiu da cabana, vendo que ficar ali não ia adiantar nada. Sem rumo nenhum, voltou para o caminho prateado, e percebeu que a parede invisível tinha sumido. Ele só queria encontrar alguma coisa viva naquela terra estranha. E nem os girassóis contavam: Eddie começou a perceber que depois de ver Ling morto, por onde ele andava as plantas murchavam. Para sorte dos girassóis, logo o campo acabou, e o que apareceu foi um calçadão de tijolos amarelos. E no meio do calçadão, um castelo. Um castelo de vidro, com pássaros de cristal voando ao redor. Nenhum LSD que Eddie havia tomado na vida tinha lhe dado uma visão tão surreal como aquela. Instintivamente, foi pegar um cigarro no bolso, e achou um papel amassado. "Becky Summers, a rainha do castelo de vidro, encontre-a", estava escrito com uma caneta verde-limão. Era bom que os pássaros de cristal fossem com a cara dele.

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- Pois bem, Alice, é isso aí. Não dizem à toa pela noite que se deve temer Michael Raposa Forwell.
- Locke não tem medo dele, e parece que várias outras pessoas também não.
- Sabe, uma coisa é não ter medo, outra é pelo menos respeitar a força e influência. Raposa é uma das pessoas mais poderosas de Los Angeles, disso eu não tenho dúvida, sabe. E Locke... bem, as regras para as pessoas normais não se aplicam muito a ele.
- Como?
- Vai dizer que não sabe sobre seu mestre? Ele é um vampiro que tem quase mil anos. Poucos seres na Terra poderiam se comparar a ele.
- Eu nunca soube disso, Seth. De verdade.
- Bem, agora você sabe... é sexta-feira, quer sair pra beber alguma coisa?
- Me chamando pra sair, então?
- Ah, bater um papo menos sério, seria bom, digo. E eu ainda te pago uma cerveja, hein.
- Ah, vamos, vai. Kitchen?
- Tudo bem, vamos sim. Alice e Seth entraram no carro e foram. Chegando lá, perto de 8 da noite, o que Alice viu foi a tal Vivianne, que Raposa tinha mandado ela ficar de vigia ontem. Seth viu a mesma Vivianne, sem nem um pouquinho de Glamour; um Howie muito tenso com alguma coisa, provavelmente o sumiço do Duque; Brett, seu novo vocalista, com uma aura pálida de vampiro; e Locke usando uma aparência disfarce e tocando violão de forma excepcional no palco. Sentou-se com Alice, sabendo que a noite seria nada calma. E nada curta, também.

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- Estava te esperando, Edward Reel. Por favor, entre. - foi a voz que saiu do castelo quando Eddie apertou a espécie de campainha que havia ali. As portas do castelo se abriram, e ele viu um trono de cristal. Sentada ali, uma mulher cujo rosto ele tinha certeza absoluta de já ter visto a vida inteira. Se pudesse existir alguém mais bela que ela, seria Vivian, apenas.
- Você...
- Estive te esperando, Edward. Por três anos te esperei aqui - ela dizia enquanto se levantava.
- E precisamos conversar antes que você acorde.
- Isso é um sonho?
- Não, isso é o Sonhar. Um outro mundo, que só pela sua presença aqui pode se desfazer num piscar de olhos.
- Porque?
- Isso é algo que ninguém pode explicar. Mas seria bom tomar uma atitude a respeito logo.
- E porque você estava me esperando?
- Porque eu sabia que você viria, uma hora ou outra. Está escrito nas estrelas, você está destinado a algo grande.
- Eu não posso simplesmente viver minha vida como sempre vivi? Qual o sentido de tudo isso?
- Você faz perguntas demais, não acha?
- Apenas enquanto a situação não me dá outra escolha.
- Então pare, e ouça.
- Becky...
- Acalme-se. Não é difícil.
Ouvindo uma voz confortante como aquelas, ele não tinha outra escolha. Então ele se acalmou, e começou a ouvir. Ouvir coisas do tipo que só se ouve em um sonho.

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