Quando o viu, ela sentiu talvez a maior felicidade de toda sua vida. Pulou nos braços de seu namorado e o beijou. Era o que mais precisava no momento. E tudo pareceu rodar, e o resto do mundo não importava mais. Eram apenas ela e ele, os dois ali na calçada da avenida. Quando parou, olhou no fundo de seus olhos, e disse, com aquele sorriso que derretia qualquer coração:
- Amor, eu tava com saudade...
- E eu preocupado... o que aconteceu? - ele reparou que as sombras tinham sumido logo depois do beijo.
- Vamos sentar aqui que eu te conto. Aliás, tenho mais coisas pra te dizer que eu acho que você não sabia.
Eddie apenas olhou surpreso, e com um pouco de ansiedade para ouvir tudo aquilo. Então ela começou a falar, sobre as coisas estranhas que via, o seqüestro, e tudo o mais. Ele apenas escutou com atenção, sem comentar nada; e refletindo se valeria a pena contar pra ela seus segredos. Que na verdade ela podia ter sido levada por culpa dele, e sua dívida de honra com um perigoso vampiro, e maior traficante de heroína de toda a Los Angeles.
-//-
Brett e Mary caminhavam pela avenida, conversando sobre coisas banais, sem um destino certo. O céu estrelado e sem nuvens, e ele com a impressão de que tocava uma música ao fundo. Algo tipo John Mayer, ou uma das coisas mais calmas que ele costumava ouvir quando estava no humor feliz-sonhador-apaixonado.
Então sentaram num banco do parque (aquele em que Brett costumava colocar comida para os pássaros), um de frente para o outro, e aquela conversa "pingue-pongue". Ela era muito igual a ele, impressionante. Livro: Catch-22; comida: sushi; medo: altura; tv: Dawson's Creek; hobby: quadrinhos; filme: Vanilla Sky, sonho: Paris. Totalmente surreal isso, algo que Brett nunca pensou que aconteceria.
- Hmm, acho que sobrou... bebida? - ele enfim falou.
- Dry Martini, o seu?
- Pois bem, em uma coisa tínhamos que discordar né... vodka com sprite.
- Aah, tão colegial isso... a fim de encher a cara agora?
- Aonde?
- Bem, tem um supermercado aberto duas quadras abaixo ainda, a gente compra e vai tomar sei lá... na sua casa, o que acha?
E seria desnecessário dizer que ele aceitou na hora. Já estava se levantando, quando Mary o interrompeu.
- Espera aí... - e parou e ficou o encarando. Seus olhos azuis pareciam estar mais brilhantes do que nunca, e o beijo aconteceu.
-//-
Ling não achou de todo estranho o cara da cicatriz vir lhe procurar, apenas achou ser um pouco cedo. Já vinha em sua direção tirando uma pistola do coldre, enquanto Vivian corria. O Duque começou a correr em uma diagonal, se desviando de seu oponente; então ergueu o braço direito, e um vento sobrenatural sacudiu o lugar. Estava apelando ao Fado, um recurso que permitia às fadas usarem seus poderes no "mundo real".
- Não tão cedo, senhor Raposa.
- Pois veremos então... - e começou a atirar. Ling, com um único movimento de sua espada, ergueu uma espécie de escudo protetor invisível, e todas as balas caíam no chão, a um metro de distância. Logo começou a ativar suas mágicas de rapidez e tudo o mais, e via que o vampiro usava poderes do mesmo tipo.
- Precisará de mais que simples armas de fogo; se vamos ter um combate, que seja digno.
Entre golpes de espada quimérica, Raposa criou garras em ambas as mãos. Elas pareciam rasgar até o próprio ar, o que manteve Ariser mais esquivo. Sabia o que esses poderes vampíricos podiam fazer, e o percebeu ainda mais quando começou a pingar ácido das mãos de seu inimigo. A cada segundo que passava, os golpes de ambos tornavam-se mais e mais rápidos, e um pouco mais letais também.
Foi quando ele pensou, "fogo". Logo sua espada irrompeu em chamas, o que causou um pânico imediato no vampiro. Essa pequena distração o permitiu ser atingido, e logo sua pele começou a queimar. "Desgraçado, ainda me paga", disse logo antes de afundar na terra e sumir. Ling olhou ao redor, dissipou o Fado, e também a magia de ocultamento que protegia a área. Então sentou, suspirou e descansou, exausto. A luta pode ter durado menos que 30 segundos, mas o cansaço foi do tipo de como se tivessem se passado horas.
Então olhou para sua perna, e viu um ferimento muito estranho. Um corte profundo em sua coxa, com uns 8 centímetros, totalmente infeccionado, como se fosse um machucado deixado ali por anos sem nenhum tratamento. O pus escorria e borbulhava, e um líquido continuava corroendo. Lentamente, a ferida se tornava maior e mais estranha. E o esquisito é que não doía nada, estava totalmente insensível. Se não tivesse parado para olhar para sua perna, não ia perceber nunca.
Então percebeu que alguém disse seu nome no Hell's Kitchen (tinha virado um Tabu, uma espécie de proteção mágica), e resolveu ir para lá mesmo. Podia chegar ao Sonhar dali, então curar sua perna.
-//-
- Então eu saí correndo, e cheguei aqui, e ainda bem que vi você.
Eddie apenas olhou, sem palavras. Ela tinha guardado isso por todo esse tempo para tentar lhe proteger, ela tinha lhe dito. E ele tinha pensado na mesma coisa. Seria melhor manter tudo em aberto, o que os dois tinham feito não era correto. "Pois eu também tenho que dizer umas coisas", falou olhando no fundo dos olhos de Vivian.
- Não sei o que vai pensar de mim depois que eu dizer tudo isso, mas não se esqueça que eu te amo.
- E eu também, isso independe de qualquer coisa - e se abraçaram. Um quarteirão longe vinha o Duque Ariser, arrastando a perna direita. Eddie viu um machucado terrível, e pela primeira vez também viu ele com a espada, a armadura, coroa, e tudo o mais, como Vivian tinha lhe dito. Ela porém, apenas o viu como uma pessoa normal, mancando por algum motivo.
- Será que o Glamour acabou tão rápido?
- Como...?
- Aquele cara vindo ali que é o tal Duque que me salvou... e ele está do jeito que era antes de me dar o biscoito mágico lá.
- Estranho, pois eu vejo ele como você descreveu. E ele tem um ferimento muito estranho na perna.
Ela só olhou espantada. Como ele conseguia enxergar tudo isso?
-//-
Ling estava se aproximando, e viu Vivian sentada com o velho Eddie, o que freqüentava sempre seu bar. Ela, estranhamente, tinha perdido toda a magia do biscoito já, em menos de meia hora (supostamente duraria uma noite inteira). Enquanto seu namorado lhe parecia como um "buraco negro", sugando não só o Glamour dela, mas também de tudo que o cercava, de forma lenta e exponencial. Porque isso acontecia, ele não podia explicar.
Foi quando sentiu um barulho estranho em algum lugar do céu, e olhou para cima tentando descobrir o que era. Apenas o que viu foi um clarão, e tudo sumiu.
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
Capítulo 9: Slow Dancing in a Burning Room
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quinta-feira, 22 de novembro de 2007
Capítulo 8: Une Année Sans Lumière
Algum pouco tempo depois, a carruagem pousou, no parque da esquina Ocean Avenue - Richards.
- Eu preciso de um orelhão, senhor Duque.
- Ligar pra alguém?
- Em casa. Dar notícias pelo menos.
- Tudo bem então.
Os dois andaram um pouco, até o telefone público mais próximo. Seu celular, seria uma ligação mais fácil. Geralmente sua tia passava horas ao telefone de noite, por isso tentar ligar na casa seria besteira. Discou, e nem ela nem Ling ouviram o barulho de passos se aproximando.
Para sua surpresa, quem atendeu não foi seu tio, e sim Eddie.
- Amor?
- Vivian, por onde andou?
- Ah, é uma longe história... me diz aonde você tá.
- Aqui no Hell's, eu tentei te procurar por um tempo, mas nada. Então seu tio me deu seu celular, ele também ficou preocupado.
- Tudo bem, estou indo aí então... te amo, viu... - e do nada a linha ficou muda. Ela olhou ao redor, e viu um homem, alto, cabelo raspado, uma cicatriz na cara, bem à sua frente. Quase caiu para trás com o susto.
- Senhorita Vivianne Crow?
- Quem é você?
- Isso lhe é irrelevante, vim atrás do senhor Ariser.
Dizem as lendas que pronunciar o nome de um nobre poderoso da corte feérica pode chamar a atenção do mesmo, e foi isso o que aconteceu. Imediatamente o Duque se virou (estava observando algumas crianças brincando no parque, e se lembrando de sua infância), e gritou "Corra!". Por algum instinto, foi o que Vivian tentou fazer. Sorte a dela que o estranho automaticamente a ignorou, e foi atrás do Duque. Enquanto corria, ela ouviu tiros.
-//-
Quando a linha caiu, Eddie achou estranho. E ficou ainda mais preocupado, por mais que ela tivesse lhe dito que estava bem. E para seu azar, não tinha dinheiro para comprar um mísero maço de cigarros. Se encostou no capô de um carro parado ali, e ficou pensando. Foi quando viu entrando o gerente do lugar, seu velho conhecido Howie. E ele tinha... chifres e pés de bode? E de jeito nenhum aquilo era efeito do álcool.
Achou que seria apenas algum detalhe que ele esqueceria em poucos minutos, se Howie não tivesse parado de repente, meio que como se tivesse percebido algo; e logo depois virado e vindo conversar com ele.
- E aí cara, como andam as coisas?
- O que aconteceu contigo? - o gerente veio logo perguntando, ignorando qualquer "educação".
- Como?
- Você tá diferente, e eu sei que tá me vendo diferente hoje também... o que você fez?
- Sobre os pés de bode? Não estou te entendendo...
- Conseguiu Glamour aonde? - foi quando ele começou a ligar uma coisa com a outra.
- Então você também é uma fada?
- Esse negócio de "fada" é pejorativo, dizemos Kithain. E sim, agora só quero saber como você conseguiu isso.
- Eu sinceramente não sei, desde hoje mais cedo estou vendo coisas... dragões, e tudo o mais, realmente estranho.
- Faça uma coisa então, não diga a ninguém sobre mim. E sobre o resto também, de preferência. Correto?
- Tudo bem, fique tranqüilo.
- Viu se o Ling já chegou? - Ling era o famoso dono do Hell's Kitchen, o "louco" que recusou uma vez uma oferta milionária pelo estabelecimento, dizendo que dinheiro algum valia a satisfação que ele tirava dali.
- Acho que não, nem vi ele lá dentro.
- Tudo bem, vou entrar lá... a gente se fala, Eddie.
- Até mais, meu caro.
"Engraçado, fadas e seres estranhos por todo lugar. Aonde eu verei o próximo dragão?", ele pensou, rindo do acontecido. Foi quando virou-se e viu Vivian correndo para onde ele estava. E o mais estranho, umas quatro ou cinco coisas (na falta de uma definição melhor) feitas de sombra flutuando atrás dela.
-//-
Logo depois que o show acabou, Hawk e Seth foram falar com a banda (era uma tradição dos frqüentadores do lugar fazer isso); uma das outras duas garotas na mesa disse que ia lá fora ver se encontrava um "amigo" dela, e a outra foi embora com o namorado - pois é, eram um casal, e Brett não tinha percebido. Aliás, quase nada naquela mesa lhe importava, à exceção de uma única pessoa. E talvez agora ele teria sua chance.
- Por que as pessoas mudam?
- Como? - ela respondeu.
- Tava pensando aqui, na época da escola tu nem percebia que eu existia, e agora, nós dois conversando num barzinho. Engraçado isso, como o tempo passa...
- Ah, eu achei que nunca ia te dizer isso... mas depois do segundo ano do colegial eu era apaixonada por você.
Ele parou, e olhou surpreso. Simplesmente não acreditava naquilo que ouvia.
- É brincadeira?
- Não, é sério... eu sempre achei o seu jeito de ser interessante sabe, e quando você e sua banda fizeram aquele show pra escola, tocaram as músicas que eu mais queria ouvir... você pode achar esquisito, mas sempre gostamos do mesmo tipo de música, eu acho.
- Aaah, isso eu não imagino... Mary Stuffs ouvindo At the Drive-in e Underoath?
- Pois é... faz parte da raiva adolescente, não? Mas enquanto alguns ouvem punk rock, eu prefiro o post-hardcore. Mais... refinado.
Brett só olhou e sorriu. Começando a descobrir coisas em comum com a garota que, no seu universo, estava o mais longe dele possível.
- E porque você não me disse então, que gostava de mim?
- Aquela coisa de reputação, sabe? Mas nunca que eu poderia ser vista com o "emo" da escola... se não iria por água abaixo tudo que eu tinha. Mas então a escola acaba, e nada disso importa mais.
- Pois é, ainda bem que você percebeu.
Um pequeno silêncio na mesa, amobs balançando os copos vazios, cada um meio encabulado, ao seu modo.
- Me leva pra algum lugar, Brett?
- Para onde?
- Aonde você quiser. Me tira daqui, só isso que te peço.
E com aqueles grandes, lindos e brilhantes olhos azuis lhe fixando, ele não seria capaz de negar algo desse tipo. Pegou as chaves, a mão de Stuffs, e foram em direção à porta.
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terça-feira, 20 de novembro de 2007
Capítulo 7: Danger Drive
Mary Caillat representava para Brett toda uma época feliz. No entanto, ela sempre foi algo inalcançável para ele, o ícone máximo de toda a divisão pessoas populares-comuns que sempre existe na high school. E ali estava ele, sentado na mesa com ela, Hawk, Seth, Eddie, e mais duas garotas e um cara que ele não tinha a mínima idéia de quem eram. E pouco lhe importava no momento. Conversavam sobre mídia, política, economia, e música. O tipo de papo de pessoas semi-intelectuais bebendo. E os olhos azuis dela se destacavam com a pele bem clara, ela estava muito mais linda. Queria apenas ficar perto dela, ouvir sua voz. E o inacreditável era que ela dava atenção a ele mais do que a qualquer outro na mesa. Como se os anos de desprezo na escola não tivessem significado nada. Enfim, passado fica pra trás nesses momentos.
-//-
A ruiva em sua frente acendeu um cigarro, Vivianne olhou atentamente.
- Posso pegar um?
- Você fuma, garota?
- De vez em quando só, sei lá...
Ela estendeu o maço. A indie queen olhou relutante, nunca tinha pegado num cigarro em toda sua vida. "Dane-se", pegou, acendeu, e tossiu na primeira tragada.
- Eu sabia, haha. Vocé é muito burguesinha pra isso. - tudo o que recebeu de volta ao comentário foi um olhar mal-humorado. Na segunda vez foi melhor, sentiu uma sensação de relaxamento. Que aquela situação não importava por alguns minutos, o tempo que o cigarro durou.
As duas ficaram quietas por mais um tempo, quando aconteceu um barulho do lado de fora. Vidro quebrado, ou coisa do tipo. Alice logo se levantou, tomou distância e apontou uma arma contra a porta; Vivian, amarrada, só observava. Foi quando a maçaneta girou, e a porta se abriu silenciosamente. Foi entrando por ali um homem na casa dos 27 anos, imponente, traços alongados, cabelos compridos e lisos, calças e camisa, simples porém elegante.
- O que quer aqui? - a vigia logo gritou.
- Minha cara, eu acho que seria uma melhor idéia abaixar a arma, antes que alguém se machuque. - sua voz era calma e reconfortante, do tipo que se dá vontade de obedecer.
- Quem é você?
- Calma, relaxe, respire fundo, ninguém precisa se exaltar aqui.
Alice pareceu afetada fortemente por esse pedido, e colocou a arma no chão. Não é uma coisa que uma pessoa em sã consciência faria, mas é o que aconteceu. Vivian só olhou surpresa, enquanto o estranho desamarrava os nós que lhe prendiam à cadeira.
- Muito bem então, qual seu nome?
- Alice.
- Certo Alice, então eu vou levar a garota aqui comigo, e você só vai ficar aqui por uns 10 minutos, sem fazer nada; depois pode ir, tudo bem?
- Tudo... - ela respondeu, sem muita animação na voz.
- Então, até logo minha querida.
E os dois saíram, sem cerimônia. "Não fale nada por enquanto, quando estivermos lá fora te explico"; tudo bem né, ela não iria reclamar por ter sido tirada de seu cativeiro.
-//-
E Eddie, quando começaram as tequilas, percebeu uma coisa: não podia fazer nada em relação a Vivian. Ela estava nas mãos do Raposa, e tudo o que ele podia era aguardar o tal "daqui a duas horas entro em contato". E tudo o que ele mais odiava era essa sensação de incapacidade frente ao mundo. Não controlar sua vida. E tinha feito sua escolha já, ele daria sua vida pela vida dela. Pelo menos o vampiro tinha um tipo de honra interior, e não quebraria um acordo. Voltou a si e tentou pelo menos aproveitar o lugar. Porém, as conversas banais, a música, as pessoas e a sinuca; tudo lhe era entediante no momento.
Celular de Vivian toca, era um número não-identificado. Saiu do bar e foi atender.
-//-
- Coma esse biscoito.
- Como?
- É só comer, senão ficaremos presos aqui.
Era um cookie com gotas de chocolate, ela julgaria delicioso se não tivesse sido dado por um estranho. Desconfiança era parte da personalidade de Vivian.
- Qual seu nome?
- Ah desculpe, não me apresentei. Ling Ariser. - e estendeu a mão. Enquanto ela o cumprimentava com a direita, deu uma mordida no biscoito com a esquerda.
Sabor delicioso, e lhe deu uma sensação estranha. Tinha um gosto que parecia uma mistura, de grama molhada, com "forgotten kisses" (o nome de um doce que sua tia fazia), e o beijo de seu namorado. Fechou os olhos para saborear; e quando os abriu, o tal Ling tinha se transformado. Usava uma armadura cerimonial, uma espada na cintura, e uma coroa dourada. E mais, à sua frente estava parada uma carruagem, com dois pégasos ao invés de cavalos. Ela apenas olhou, num misto de espanto e fascinação.
- O que aconteceu?
- Isso que você comeu é um biscoito especial, tem Glamour nele. Se você não tivesse se entregado à Banalidade, não precisaria comer isso para ver o mundo dessa forma.
"Como? Ah, conversa de fadinhas de novo", pensou aborrecida.
- E pra que eu ia querer isso? Prefiro minha vida normal, quero voltar e viver em paz.
- Normalmente eu lhe deixaria fazer isso, mas agora você não tem escolha. Sinto muito, você tem que vir comigo.
Ela olhou, e pensou nas alternativas. Não tinha a mínima idéia de onde estava, o lugar era tipo um galpão abandonado. Sem celular, e sem suas coisas, a chance de sair dali era muito pequena. Resolveu aceitar a idéia que lhe foi oferecida, pelo menos o cara tinha lhe tirado dali. Entraram na carruagem do Duque Ariser (como ela ficaria sabendo mais tarde), e os pégasos começaram a voar. E diziam que a lua mexia com todas as pessoas, e nesse caso estava mexendo com toda sua vida também.
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sexta-feira, 16 de novembro de 2007
Capítulo 6: Make a Decision
Não, ele não conseguiria simplesmente ignorar aquele telefonema. A mudança que se operou no semblante de Reich foi muito óbvia para ele.
- Senhor, o telefonema... tinha algo a ver com Vivian?
O tutor simplesmente olhou para Eddie, respirou fundo, e disse calmamente:
- Tem mais a ver com você do que com ela.
- Como?
- Alguém ligou, e disse para eu avisar o "namorado da minha sobrinha" que ele tinha feito a escolha errada. Foi só isso. E quem ligou deve ter algo com ela, não?
- Como era a voz?
- Um cara. Nada feliz. E pois é, você está pensando que foi o tal do Raposa, e eu vou concordar então.
- Você consegue ler minha mente também?
- Sim, faz tempo...
- Droga.
- Pois é. O que vai fazer então?
- Não sei, acho que ir até lá é loucura... mas ele pode ter feito alguma coisa com a Vivian, certo?
- Eu não posso te aconselhar a fazer nada, isso é com você, garoto.
- Preciso de um cigarro. Agora.
- Aah, eu acho que tenho um último guardado aqui... pronto, pode pegar.
"Pra mim ele não fumava... ah sim, magia sutil, enganando o universo". Eddie acendeu, se sentou na calçada e começou a imaginar um plano de ação. Não vinha nada em sua mente, até que passou um dragão voando em cima da rua, e os dois olharam pra cima.
- Você também consegue ver? - ambos perguntaram, ao mesmo tempo, surpresos.
-//-
Hell's Kitchen era um bar "alternativo", o centro de toda a cultura underground de Silver Lake, talvez até da Los Angeles inteira. Tinha a melhor localização possível, uma fama construída por 20 anos e inúmeros eventos, um espaço do tamanho exato - para lotar nas grandes noites, mas não lotar demais. Se alguma banda queria começar uma carreia na Costa Oeste, o lugar era ali.
E Brett simplesmente amava aquele lugar. Desde a primeira vez em que cantou lá, ainda com a Mossdeep, e sentiu a maior felicidade do mundo. Fazer aquilo que gostava, e ser admirado pelo público. Seu sonho desde a High School era ser um rockstar. E sua surpresa foi, que ao entrar no Kitchen aquela noite, trombou com Hawk saindo. Sim, seu amigo de infância, e ex-parceiro de banda. Ele olhou de cima a baixo...
- Ah, nem acredito nisso...
- Brett Witter, em pessoa!
- E é ele mesmo, Hawk de Palmdale, o próprio - e se abraçaram.
- Pois é, vaso ruim não quebra não... se lembra da Mary?
E ele teve a surpresa da semana. Todos têm uma paixão platônica por alguém no colegial, e ali estava a dele. Mary "Stuffs" Caillat, famosa por ser a líder das cheerleaders, e por seus olhos azuis; aos 21 anos, em carne e osso, na sua frente. Se cumprimentaram, "olha, quanto tempo", e ele começou a sentir algo bem saudosista dentro de si. Mary e Hawk iam pegar uns amigos, e já voltaria. Enquanto isso, Brett entrou para esperar seus companheiros de banda. E droga, ele nem tinha memorizado o nome do cara que tocava guitarra além do Seth.
Som razoável, pediu uma cerveja e encostou no balcão.
-//-
Eddie e Reich conversaram um pouco sobre o fato do dragão que tinha acabado de passar. Reich tinha um parentesco com as fadas, conseguia vê-lo por isso; agora quanto a Eddie era algo estranho. Talvez tivesse conseguido algum Glamour (a "energia" das fadas), por isso estava nesse mundo agora. Era quase 8 da noite, o cigarro tinha se apagado faz tempo, foi quando de súbito ele se levantou.
- Vou ver se descubro alguma coisa por aí.
- Aonde?
- Não sei, simplesmente vou. O senhor tinha dito que ela deixou o celular em casa, não?
- É, vou lá pegar pra você.
- Tudo bem, espero aqui.
Foi apenas algum tempo na calçada, e o Chamado apareceu de novo. Novamente tentou resistir, com toda sua vontade, mas chegou uma hora em que não dava mais. Ia apenas pegar o celular com Reich, e iria a encontro dele. Totalmente alheio a sua vontade, mas não tinha nada para fazer em relação a isso. "Droga, maldito dia em que fui encontrar aquele desgraçado", única coisa que pensou. Se despediu de Reich e saiu, sem muitas esperanças boas para a noite. Foi alguns minutos depois que uma buzina lhe salvou.
-//-
- Quem é você? - Vivian perguntou à pessoa em sua frente.
- Lhe interessa realmente?
- Acho que sim, se não eu não estaria perguntando né...
- Meu nome é Alice. E sou sua vigia. Pronto, tudo o que precisa saber.
- Muito obrigado pela atenção então. De verdade.
A falta de esperança também começou a lhe afligir, junto com as dúvidas. Somado ao tédio, e a saudade do namorado.
-//-
- Eddie! - era Seth em seu carro. A salvação.
- Opa, indo pra onde?
- Hell's Kitchen, afim de ir?
- Dentro, sem mais... - e entrou, aliviado. Ele só precisava de uma distração para quebrar o Chamado, e isso o que aconteceu. Melhor momento possível para seu primo aparecer em sua vida.
- Escuta, você tava aonde de tarde?
- Dei uma saída, por que?
- Então, eu e Brett fomos na sua casa pegar os cabos e tal, mas você não estava lá... ah, sua namorada apareceu também.
- Sério? Ela foi fazer o que lá?
- Te ver né, disse que tava com saudades, essas coisas. Aí na hora que saímos ela ficou lá, disse que ia esperar mais um pouco por você, mas agora nem sei pra onde ela ia depois.
- Hmm, que droga. Depois tento falar com ela.
Seth não sabia de tudo o que tinha acontecido, e era melhor nem ficar sabendo. Agora, quanto a Vivianne, ele começou a ficar realmente preocupado. Foi quando o celular dela vibrou, mensagem de texto recebida. "Ninguém mandou me desafiar garoto, então agora você tem uma decisão a fazer. Ou você morre, ou ela morre. Já vá escolhendo, daqui a duas horas entro em contato". Remetente era um computador, mas ele já sabia quem era.
As coisas estavam tensas pra ele, o que mais precisava no momento era de álcool.
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quarta-feira, 14 de novembro de 2007
Capítulo 5: Mr. Confusion
E de onde ele tiraria coragem para falar com senhor Reich agora?, Eddie pensou. Os dois nunca foram muito chegados, sempre rolava aquela troca de olhares não-amigável. E o motivo, ele nunca soube. Talvez a preocupação com aquele cara estranho que tinha o coração de sua sobrinha, devia ser isso. Enfim, ignorando todos esses motivos, ele tocou a campainha. Quem atendeu não foi Reich, mas sua esposa.
- Olá Edward... a Vivian não está...
- Não senhora, eu precisava é falar com seu marido.
- Reich? Ah sim, vou chamar ele.
Ele entrou, e percebeu a surpresa no olhar do dono da casa. Os dois foram até o salão do Dojo (o tio de Vivian ensinava artes marciais), e ali sentaram para sua conversa.
-//-
O primeiro ensaio da nova banda de Brett foi algo meio leve, mais conversas mesmo, alguma zoeira, e uns covers fáceis. A proposta do resto da banda era algo mais "pop", tipo post-grunge; e ele não iria reclamar. Mas compondo, colocaria as guitarras complexas que tanto lhe fascinavam, com certeza. Enfim, no final da sessão, os caras chamaram ele pra ir no Hell's Kitchen.
- Caralho, todo mundo freqüenta esse lugar?
- Bem, se achar uma cena underground melhor...
Era algo a se considerar. Sua última noite lá não tinha sido das melhores, mas, passar a quinta no tédio não lhe renderia nada. Dane-se tudo, pegou o Porsche e foi logo atrás deles.
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E na terceira noite, aquela em que Raposa daria a mercadoria, foi servido a ele a bebida estranha novamente. Eddie começou a imaginar o que seria aquilo, a única coisa que o traficante servia a suas visitas - ou a ele, pelo menos. Foi quando começou a ouvir uma história estranha, que lhe deixou talvez mais surpreso que na noite em que descobriu ser um mago.
A verdade é que Raposa era um vampiro; sim, os que bebem sangue, andam só de noite, vivem para sempre, e têm poderes sobrenaturais diversos. E o que ele bebeu durante as três noites era o sangue daquele vampiro, o que lhe transformaria num ser que chamavam de carniçal. Eddie viveria para sempre enquanto tomasse sangue de vampiros, mas também estava submetido a algo chamado Laço de Sangue. Um sentimento artificial mais forte do que amor, ódio ou qualquer outra coisa, provocado pelo sangue.
Isso foi o que ele ouviu. Teoricamente, ele era um escravo do Raposa agora. Mas, na prática, ele não sentia nada. Nenhum desejo de servir, realmente nada. Mas achou melhor entrar no jogo, e pelo menos fingir que o que ouvia era verdade. Pegou uma carga razoável de heroína e voltou para casa.
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- O que precisa aqui, filho? - Eddie estranhou esse "filho", pensou que nunca ouviria isso de seu quase-sogro (a mãe de Vivian tinha morrido em um desastre aéreo, e ela nunca conheceu seu pai; portanto sua família era seus tios).
- Então senhor, é que eu estou com uns problemas, e achei que se houvesse alguém que poderia me ajudar, seria o senhor.
- Senhor não, me chame de você... e porque achou isso? - a expressão severa, mas calma do velho sensei inspirava confiança.
- Foi como uma intuição... o senhor é diferente das outras pessoas, não é?
- Se esse "outras pessoas" se referir a você, minha sobrinha, seu ex-patrão, então eu não sou. Primeira lição, tudo é relativo.
Ele pensou no significado dessas palavras. E apenas ficou mais intrigado com o que ouvia. Como não respondesse nada, Reich continuou a falar.
- Todos nós quatro fazemos coisas que as pessoas comum não conseguem. Cada um à sua maneira. E sua intuição é algo que se chama Consciência, a capacidade dos magos de perceberem o sobrenatural. Foi com isso que eu vi que você tinha um certo poder, muito pouco explorado. Um potencial enorme, que ficou estagnado nessa sua idéia de ser um carniçal.
- Mas o que eu posso fazer? Tentei desenvolver essa magia, e quase morri...
- É por falta de fazer a coisa corretamente. Isso que você tentava era magia vulgar, sempre traz a destruição. O segredo é ser discreto, tentar enganar o universo.
- Como fazer isso?
- Vamos dar uma volta pela rua que eu te explico.
No que estavam saindo, o telefone tocou. "Só um momento, que já vamos."
- Alô?
- Senhor Reich? - uma voz desconhecida disse.
- Ele mesmo, quem fala?
- Quero que me faça um favor: encontre o namorado da sua sobrinha, e diga que ele fez a escolha errada hoje. Apenas isso.
- Quem tá... - tentou dizer para um telefone mudo. A confiança do velho era algo que poucas coisas abalavam, mas isso o deixou realmente assustado. - Vamos então, vou começar a lhe ensinar as coisas - disse para Eddie, tentando disfarçar a preocupação em sua voz.
- Aconteceu alguma coisa?
- Não, nada.
Essa resposta não convenceu o jovem mago, que começou a ficar imaginando coisas. O que dizia ele, quando falou que Vivian em "Se esse "outras pessoas" se referir a você, minha sobrinha, seu ex-patrão"? Dúvidas ficaram povoando sua mente, enquanto ele via seu novo mentor explodir fios elétricos "por acidente".
-//-
Ela acordou num cômodo semi-iluminado, jogada num canto; já era noite. A primeira coisa que viu foi a lua cheia, da pequena janela no alto da parede. Foi quando observou o resto do quarto que viu uma ruiva, sentada numa cadeira, a olhando atentamente.
- Até que enfim hein... demorou pra acordar.
Última coisa que se lembrava era do letreiro "Hell's Kitchen", ainda na Ocean Avenue.
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Luiz Costa
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segunda-feira, 12 de novembro de 2007
Capítulo 4: Paper Walls
Eddie não era muito acostumado a ver dragões por aí. Essa era a segunda vez na verdade. A primeira foi quando foi arrastado a uma bad trip por usar realmente muitas coisas na mesma noite, o que lhe rendeu uma overdose e uma noite no hospital, aos 18 anos. Mas aqueles dragões eram imaginários, com certeza. E esses em cima do prédio tinham uma aparência bem real. Pareciam vigiar ou guardar algo, mas não se podia saber o quê. Um deles o viu, e não esboçou reação nenhuma. Menos mal assim.
E o estranho era que ele estava limpo; não consumia nada tóxico a alguns dias. Seria o sangue muito potente que lhe dava alucinações? Não era possível, ninguém nunca tinha te dito sobre essas histórias. Nem vampiros, nem outros carniçais, nem mesmo seu Avatar. Se bem que ele não ajudava Eddie em nada, em relação a isso, desde que tinha sido abandonado.
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Edward Reel tinha um talento incomum para números, algo sobrenatural; uma noção extremamente precisa da passagem do tempo, e a tal memória fotográfica também. Mas sempre as mentes fortes tendem à rebeldia ou a opressão, psicólogos já disseram algumas vezes. Ele seguiu o primeiro caminho. Conseguiu ser expluso da escola duas vezes, e já se mudou também por isso; foi quando deixou Boston e foi morar na Costa Oeste. "Malibu vai fazer bem ao garoto", disse seu pai. A verdade é que nem ele, tampouco sua mãe, se importaram muito com ele. E quando passou na faculdade, foi morar sozinho. Apenas o que sempre quis. O que acontecia é que nem sua família se importava com ele.
Essa falta rendeu uma carência enorme a Eddie, que começou a se apoiar mais nos amigos. E, como a necessidade de aceitação na adolescência é maior do que em qualquer outra parte da vida, entrou no jogo da classe alta decadente. Álcool (bem, beber era desde os 13 anos), cigarros, cocaína, heroína, magia. Uma chance que poucos têm, e ele jogou fora.
Foi voltando de um show, ele andava sozinho pela rua. Um cara estranho, com umas roupas rasgadas o abordou, e ele tentou ignorar. Porém levou uma rajada de um tipo de energia no peito, e caiu ofegante no chão. Então o sujeito praticamente o arrastou pra um beco próximo, fez surgir uma parede do nada ali tampando a entrada ("Apenas uma ilusão", com uma risadinha boba), e começou a tentar colocar coisas em sua cabeça pelo resto da noite. Eddie não queria aquilo, tudo o que precisava era voltar pra casa e dormir, muito. Talvez por esse motivo o que ouviu ali entrou por um ouvido e saiu pelo outro.
O que se lembra ainda era pouco; ele era um Desperto, um ser humano com uma mente abençoada e que podia moldar a realidade de acordo com o que quisesse (dentro de suas limitações, apesar). Tinha um Avatar, um espírito consciente que olhava por ele e armazenava sua energia mágica (um maldito nome que ele nunca decorou). Haviam outros como ele, organizados em Tradições, clãs reunidos pelas práticas comuns da magia. Além disso, uma guerra tinha acontecido entre as Tradições e uma tal de Tecnocracia, por isso o mundo era assim hoje. "Bem, eu gosto do mundo desta forma", pensou logo que ouviu sobre e tal guerra.
- Não, mas poderia ser muito melhor - o mago respondeu. - E eu estou ouvindo o que você está pensando, desde que eu lhe encontrei por aí. E pode ir embora agora, estou percebendo que por mais que fale será em vão.
- É, acho que sim. - a única coisa que Eddie respondeu, num tom seco. Depois virou as costas e saiu.
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Andando em direção ao metrô (e à casa de seu amor), ele ouviu o Chamado dentro de sua cabeça - "droga, isso não..." - Sabia que era uma força sobrenatural em sua mente, tentando levá-lo a um determinado lugar. Tudo o que ele precisava era resistir. Se esforçou ao máximo que pôde pra combater a voz dentro de si, o impelindo contra seus princípios. E o que as pessoas comuns na rua viam era um cara ajoelhado no chão, com as mãos segurando a cabeça, e gritando coisas desconexas. Depois de alguns poucos e longos minutos, lívido, ele se levantou e continuou a andar. Tinha que chegar rápido, antes que isso voltasse. Pelo menos o tio de Vivian (uma das poucas pessoas que ele temia e respeitava) poderia lhe ajudar. Pelo menos era o que ele esperava.
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Mas com a magia, a "capacidade de moldar a realidade", vieram frustrações. No início se esforçou pra aprender, desenvolveu até uns rudimentos de Entropia e Tempo - pensando que poderia fazer algo a mais de sua vida - mas o que conseguiu foi quase morrer duas vezes. A magia devia ser sutil; a estrutura do universo era como uma teia de seda, em que os Despertos puxavam os fios para mudá-la. Um puxão brusco e tudo se despedaçava, foi o que ele precisou aprender. Então se desanimou e deixou isso de lado. Álcool, cigarros, cocaína, heroína, magia, ácido, amor. Sua "droga" do momento ele conheceu em um show do Paramore. Foi de longe o sorriso mais perfeito e cativante que encontrou, em toda sua vida. E todos seus amigos começaram a lhe chamar de "cara de sorte", depois que conheceram sua nova namorada, Vivian Crow.
Ela era importante para ele, sem dúvida; mas o vazio começou a preenchê-lo novamente. Reel viu que era hora de trabalhar. Aos 18 anos, tentou começar a promover eventos. Não deu certo, ele sempre gastava mais do que arrecadava. A outra saída viável ao seu ver foi o tráfico de drogas, negócio que não tirava impostos, e aonde ele já tinha um mercado consumidor pronto.
O cara que lhe fornecia era um cara chamado Raposa, cujo nome verdadeiro ninguém sabia. Eddie tinha conhecimento de que ele era um dos grandes da cidade, então decidiu falar com ele sobre o serviço. Foi recebido relativamente bem, tomaram um drinque (um sabor que ele achou estranho a princípio, mas até aí sem problemas). O traficante disse que iria pensar, e que era para ele voltar na semana seguinte.
Foi o que fez, os dois tomaram outra dose da bebida ("Na segunda vez o sabor é sempre mais agradável, não acha?", o tom da voz dele era realmente confortador. Como um pai, ou irmão mais velho. O que Eddie ouviu é que deveria voltar na outra noite, pegar o primeiro pacote para revenda.
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- Temos que ir pro ensaio, Vivianne. Me desculpe.
- Não, não tem problema... eu espero aqui mais um pouco.
- Certo então, qualquer coisa me ligue. Te passei meu telefone né?
- Aham, anotei aqui.
- Tudo bem então... vamos aí, Brett.
- Tchau, até logo. - e com isso os dois deixaram-a sozinha na casa.
Ela esperou mais um pouco, uns 15 minutos, mas quando viu que ele realmente não ia chegar, decidiu voltar para sua casa. Era verão, o sol estava se pondo, então decidiu ir a pé. A brisa do crepúsculo era algo que ela adorava. E foi ali na Ocean Avenue, ela viu um furgão parado, e dois caras carregando caixas para uma loja, e um outro sentado na porta. "Noite, moça", ele cumprimentou mexendo o boné quando ela passou. Era um jovem forte, com um certo ar rústico.
Ia respondendo o cumprimento, quando a única coisa que ela não esperaria aconteceu. Os dois carregadores largaram as caixas, correram e se jogaram dentro do furgão segurando ela. O que estava sentado fechou as portas, enquanto o motorista dava partida, e providenciavam mordaça e cordas pra amarrá-la.
- E eu quero te ver quietinha, certo garota?
O que ela fez foi olhar, cheia de dúvidas e revolta. Por que fariam isso com ela?
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domingo, 11 de novembro de 2007
Capítulo 3: Dream to Make Believe
Brett Witter finalmente saiu do apartamento, depois de seu longo banho de meia hora. Mesmo a fome, o tédio ou qualquer compromisso não o fariam passar menos tempo debaixo do chuveiro, nunca. Era algo que ele considerava sagrado, ligar a música (normalmente The Juliana Theory, Silverchair ou Underoath, dependia de seu humor no dia), passar um bom tempo com a água quente escorrendo pela sua pele; e depois lavar seus longos cabelos. Duas vezes. E sempre esse banho era depois de acordar, todos os dias. E era o que bastava a ele para se manter de bom humor (ou pelo menos um pouco melhor do que acordou), o resto do dia.
Cumprimentar o porteiro do prédio e discutir sobre um assunto qualquer da mídia também fazia parte de seus rituais diários; e o terceiro e último era dar uma passadinha no parque, no cruzamento da Ocean Avenue com a Richards. Trocar a comida dos pássaros, e apenas olhar as árvores, o último suspiro da natureza na cidade dos anjos.
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Natureza era algo que Brett realmente sentia falta, desde que saiu de Palmdale, sua cidade natal. Era uma cidade média (pouco mais de 100 mil habitantes), separada da capital por algumas montanhas apenas. Seus pais tinham uma fazenda de algodão, com um pequeno bosque ali perto, e seu lugar preferido duranta a infância: a cachoeira.
Quando chegou a adolescência, começou a freqüentar mais a cidade; então veio a high school, o rock and roll, e o desejo inevitável de fazer uma banda. Brett não sabia, nem tinha a capacidade pra tocar nenhum instrumento, logo teve que assumir os vocais. E uma coisa todos lhe diziam: o garoto tinha talento. Sua fama com o Mossdeep (nome sugerido pelo baixista, Hawk) se espalhou pela cidade inteira, e logo eles eram bem conhecidos por todo o lugar.
O destino dessas bandas de cidades pequenas é gravar uma demo, arrumar uma gravadora e ir morar em lugares mais populosos, aonde a exposição e a chance de sucesso é maior. Com eles não podia ser diferente, então foram os quatro para Los Angeles. Tocando em barzinhos, ganhando reconhecimento do público underground - o post-hardcore complexo que eles faziam (com influências diversas, de At The Drive-in a Armor For Sleep) não tinha espaço nas grandes rádios. Tudo ia bem, depois de algum tempo, com trabalho duro e sorte poderiam chegar a algum Top 10 na parada "alternative rock", mas algo veio para quebrar a carreira dos quatro jovens.
Numa noite, voltando de um pequeno show, um bêbado avançou o sinal e bateu no carro em que estavam os irmãos Ryan e Pete (baterista e gutarrista). Brett e Hawk perderam seus melhores amigos, de uma vez, e no momento da escalada em busca do sonho dos quatro. Hawk voltou para Palmdade, e o vocalista da banda resolveu ficar sozinho na cidade grande, tentar outra coisa. Mossdeep tinha acabado ali, e todo o ícone de uma juventude também.
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Graças a sua enrolação habitual, foi chegar no shopping já eram 5:15 da tarde. Comeu uma porcaria japonesa qualquer (não tinha conseguido se decidir entre McDonalds e Burger King, então podia ser outra coisa mesmo), depois foi esperar Seth na grande fonte da entrada. E para sua supresa, ele já estava lá. "Sei lá, mania minha de chegar adiantado"; e Brett fazia sempre a mesma coisa.
- Vamos então?
- Pra onde primeiro?
- Casa do Eddie... preciso pegar umas coisas minhas, e falar com ele também.
- Eddie é seu primo, o da festa lá?
- É, ele mesmo.
- OK então, vou pegar meu carro lá fora.
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Brett tinha um Porsche amarelo conversível, ano 1982, de família. Depois do acidente com seus amigos, ele ficou meio sem rumo na vida; não fazia nada além da Mossdeep, e vivia com o (pouco) dinheiro dos shows, e suas economias de quando morava em Palmdale. Sem ter conseguido nenhum emprego ainda, morava no apartamento com Ryan e Pete; e quando eles morreram ainda havia um mês de aluguel pago. Mas, meio por coincidência, seu avô também foi desta para melhor, duas semanas depois. E o que ninguém sabia é que ele tinha uma grande quantia em dinheiro guardada, que deixou para seu neto único.
Ao invés de torrar tudo de uma vez, ele decidiu ser esperto e investiu em algo mais rentável: apartamentos. Na cidade grande, isso sempre é uma necessidade, então não faltaria gente para alugá-los. Comprou uma para si mesmo, e conseguiu mais dois com o resto da herança. E ao voltar de sua cidade natal (onde tinha ido para resolver esses assuntos do testamento), seu pai lhe deu o carro.
Aos 21 anos de idade, Brett Witter era praticamente um aposentado, tendo moradia própria e uma fonte de renda constante. Não era muita coisa, mas o suficiente para levar uma vida confortável sozinho.
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A casa de Eddie ficava a mais ou menos uns 20 minutos do shopping center, o que era razoavelmente longe. A surpresa para Seth foi que ele não estava lá quando eles chegaram. Mas ele tinha a chave, pelo menos um problema a menos. O iPod estava em cima da mesa, os cabos de som idem, mas o problema era a carteira. Aonde será que seu primo tinha colocado?
Os dois estavam procurando, quando a porta se abriu. "Deve ser ele", ambos pensaram, mas ao invés disso uma surpresa. Olhos cor de mel, cabelo castanho com reflexos dourados, maquiagem ressaltando seu olhar levemente triste, 1,70m de altura, silhueta perfeita, blusinha preta e uma calça jeans, com um all-star cáqui. A garota mais linda que Brett veria na vida, mesmo que encontrasse celebridades todo dia em Hollywood e Malibu.
- Oi? - ela disse espantada.
- Vivian, né? - Seth respondeu, enquanto o outro simplesmente olhava abobado.
- Isso, certo. Cadê o Edward?
- Pois sabe que eu não sei também, chegamos aqui faz uns cinco minutos e ele não tava... Acho que vou ligar no celular dele...
- Não, nem precisa - respondeu a indie queen, apontando o aparelho do namorado sobre a estante.
Isso, para os dois, significava que ele realmente não queria ser encontrado. Para Brett, não significava nada, tudo o que importava no momento era a deusa que ele tinha diante de si. Ou fada, na verdade.
- Que droga, faz quase uma semana que não consigo falar com ele.
- Pois eu também não, ele me deixou um recado ontem mandando eu vir pegar minhas coisas, mas depois tentei ligar e nada de atender.
- Chato isso... sabe aonde ele pode estar?
- Bem Vivian, eu diria a minha casa, mas como eu estava lá até sair com Brett, acho meio difícil.
Os três ficaram ali pensando aonde encontrar o dono da casa. O pior é que estavam certos sobre o celular dele largado em casa; Eddie não queria que ninguém o achasse, ninguém mesmo.
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Logo depois de pegar o primeiro ônibus que viu é que ele começou a pensar no que poderiam fazer em sua casa, ou com as pessoas que ele se importava; então viu que precisava de alguma coisa pra impedir isso. O que fazer, voltar e peitar os capangas que foram atrás dele? Não, muito arriscado. Ir peitar direto o Raposa e resolver tudo de uma vez? Pior ainda, era morte na certa. Isso era um problema, e para essas coisas seu Avatar não dizia nada. Resolveu ir direto atrás do que lhe importava, a única coisa importante nesse mundo: seu amor.
Eddie decidiu que iria para a casa de Vivian procurá-la. Tentou mantê-la longe de todos os problemas de sua vida até agora, achando que estava protegendo-a... viu que isso não adiantaria nada. Além disso, ele suspeitava que o tio dela tinha algo de especial, algum poder que ele escondia de todos, pelo menos com isso ele poderia ajudá-lo.
Abriu a mochila para beber sua última dose de sangue (esse era especial, tinha obtido de um vampiro ancião especialmente poderoso), e foi quando notou um pequeno objeto de metal. Reconheceu como um tipo de rastreador quando viu mais perto. "Droga, algum maldito estava me espionando todo esse tempo". Jogou pela janela, logo embaixo da roda do ônibus; e depois desceu no primeiro ponto para voltar ao caminho certo - sempre pelos lugares de maior movimento, para não ser notado.
"Merda, o último cigarro", praguejou antes de olhar pra cima e ver quatro dragões empoleirados em cima de um pequeno prédio comercial. Pois é, as coisas estavam indo de mal a pior.
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sexta-feira, 9 de novembro de 2007
Capítulo 2: About a Girl
Vivianne Crow nunca foi uma pessoa comum. Desde o primário, quando era a menina que as mães das colegas invejavam; tirava notas excepcionais, era a queridinha das professoras, e sempre a protagonista nos teatrinhos e musicais da escola. Isso continuou por mais alguns anos, até chegar a High School. O caminho esperado seria ela se tornar uma cheerleader, ou presidente do comitê de eventos, ou qualquer coisa mais. Mas não, ela seguiu o caminho contrário. Nenhuma atividade extra-curricular, nenhum envolvimento na "alta sociedade". Não gostava das músicas da moda, achava os garotos populares (os que jogavam futebol americano, invariavelmente) ridículos, suas roupas e modo de agir idem. Mas, mesmo tentando se manter longe dos holofotes, ela chamava a atenção de todos.
Andava com as pessoas comuns, não com os popstars da escola, tampouco com os nerds. Ouvia a música diferente da popular, o que lhe rendeu a alcunha de indie queen depois de um tempo. Sua roupa, seu jeito de andar, seria mais uma com o passar dos anos. Suas notas extraordinárias e sua beleza, realmente fora do normal, faziam a diferença.
Quanto às notas, sempre há alguém que se destaca, isso é invariável. Mas a beleza tinha um motivo. Porque Vivian realmente não era comum.
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Por volta dos 13, ou 14 anos (ela não se lembra direito), o mundo começou a ficar estranho. Parecia mais colorido, mais vivo. Podia ser a adolescência simplesmente, até que um dia ela viu um dragão voando no meio da rua. Sim, um dragão. Vermelho, escamas, cauda, garras, asas; assim como nas figuras dos livros que seu tio lia quando ela era criança. Foi meio absurdo, pensou estar variando das idéias (ninguém mais na rua viu, ao que pareceu). Foi quando voltou pra casa a noite que teve um choque. Ali estavam uns caras com pé de bode, que lhe disseram coisas que ela tentou ignorar a noite toda. Mas era algo que ela não podia fazer.
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O metrô estava lotado, isso era algo que Vivianne odiava. Sorte que eram apenas três paradas até o bairro de Eddie, pelo menos o tormento não seria tão grande. Mas, definitivamente o dia era estranho; a gárgula do alto do relógio da praça, os diabretes que sempre estavam na ponte, e o monstro da esquina da loja de doces - todos tinham sumido. "O que será que está acontecendo essa semana?", ela pensou, logo na frente da casa do namorado. Tocou a campainha uma, duas, três vezes... ninguém atendeu. Bem, pelo menos o muro era baixo, o suficiente pra pular.
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O que os caras com pé de bode lhe disseram naquela noite é que ela tinha uma alma que não era realmente dela, uma alma de fada. Acontecia às vezes, fadas que estavam aprisionadas em Arcádia (um tipo de mundo delas) trocavam seu espírito com o de um recém-nascido, como uma forma de voltarem à Terra. E esse lado diferente começava a se manifestar na adolescência, mostrando coisas que as pessoas normais não podiam ver, coisas feitas de sonho... dragões, duendes, gárgulas e tudo o mais. Vivian fazia parte do kith (algo como um clã) dos Sidhe, conhecidos por sua beleza fora do normal, além de serem os nobres da sociedade feérica. Isso foi mais uma das coisas que contribuiu para seu desejo de se manter longe da fama, durante a high school.
- Muito obrigado então por me avisarem, mas nunca mais venham me procurar, tampouco seus amigos - foi o que ela disse aos caras do pé de bode (Sátiros, era o kith deles) no final da noite.
Azar o dela, visto que nunca essa nova realidade a abandonou. Continuou vendo as coisas estranhas pela rua, até esse final de semana fatídico. O final de semana que ela se lembraria pra sempre, quando as fadas saíram de sua vida.
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Sem que Eddie soubesse, sua namorada sabia aonde era o esconderijo da chave. Ele morava sozinho, e não fazia nada da vida. Bem, teoricamente cursava Matemática na USC, mas era só uma desculpa para torrar o dinheiro da família. Não importava, seus pais não davam simplesmente a mínima.
O relógio da sala marcava seis da tarde quando ela entrou; e sua surpresa foi que tinha mais gente lá. Mas, de seu namorado, sombra nenhuma. O primo dele, que todos chamavam de Seth (ninguém sabe o porquê, sendo que seu nome de verdade era William), e um tal de Brett, que ela nunca tinha visto na vida. Os dois também procuravam o dono da casa. E ambos também não tinham a mínima idéia de por onde ele andava.
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Ele sentiu que vinham lhe procurar. E olhando do final da rua os capangas do Raposa chegaram, agradeceu ao seu Avatar pela primeira vez na vida por ele existir. Foi-lhe útil pelo menos uma vez, e isso bastava. Correu para o ponto de ônibus mais perto, tudo o que queria no momento era fugir.
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quinta-feira, 8 de novembro de 2007
Capítulo 1: Teahouse of the Spirits
Brett abriu os olhos, seu despertador tocava 4 da tarde já. Tinha que se apressar, pra poder chegar a tempo no ensaio.
Foi realmente estranho como tudo aconteceu, desde a noite em que tudo deu errado no Hell's Kitchen, a festa que rolou depois na casa daquele sujeito estranho, um tal de Eddie, se ele se lembra, até um total desconhecido - primo do tal Eddie, ao que parece - o chamar pra cantar na banda dele. Enfim, o que importava a Brett no momento é que ele tinha uma banda. Voltar aos tempos das gigs fantásticas, arrumar algo útil para passar o tempo e poder completar de novo o trio "sexo, drogas e rock and roll". Tudo que ele queria.
Praguejou quando viu que não tinha sobrado sucrilhos, nem coca-cola, nem uma mísera cerveja. O jeito era ir comer no shopping mesmo, ver se dava uma volta, encontrava algum conhecido, ou qualquer coisa boa para sua quinta-feira. O que ele não sabia é que o fim de tarde lhe reservava muita coisa boa ainda.
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Enquanto isso, num outro canto de Los Angeles, um outro cara estava tentando ir dormir. O tal do Eddie, que era conhecido por dar as melhores festas do distrito de Silver Lake.
É um dos caras do tipo que ninguém sabe tudo sobre sua vida, nem mesmo sua namorada, Vivian. Mesmo assim, conseguia ter contatos, amigos e conhecidos em toda parte. Talvez porque já tinha feito parte do tráfico de heroína; ou por conhecer pessoalmente quase todas as bandas da cena underground da cidade; ou mesmo pelas suas festas, regadas a álcool, maconha e som da melhor qualidade. Mesmo desconsiderando isso, seu carisma incomparável lhe garantia a simpatia de todos.
Não por ser bonito, pelo contrário. Fisicamente falando, Edward Reel era o típico cara médio, que não se destacava nos lugares. Quando alguém via ele com Vivian, até estranhava: "O que um cara assim está fazendo com uma mulher dessas?". Mas era só Eddie começar a falar que o carisma se tornava evidente. Sua desenvoltura ao falar, seu jeito cativante, isso o tornava "o cara mais legal que eu já conheci", pra todo mundo.
Apesar disso, a crise de meia-idade começava a tomar conta dele. Não que fosse velho, ele tinha 19 anos ainda. Mas, o vício em álcool e nicotina, e tudo o mais o que a vida desregrada traz começaram a torna-lo velho. Rabugento. Sem esperanças.
Mas tinha algo mais pra piorar tudo: ele não era um simples cara comum. Se fosse simples assim, uns tempos numa clínica de reabilitação, e ajuda psiquiátrica poderiam resolver isso. Sua família era rica, não veria problema. Mas acontece que Eddie era viciado em sangue (além dos cigarros e do álcool), tinha uma pequena capacidade de controlar o tempo e o acaso (o que ele mais odiava, mas que se manifestava contra sua vontade), e, pelo menos até onde sabia, não era capaz de envelhecer mais. Teria aquela aparência jovem para sempre. E, com ele começando a odiar sua vida, não era uma coisa boa. Ao menos ele tinha algo que podia chamar de amor verdadeiro.
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- Vai fazer alguma coisa hoje? - Reich perguntou a sua sobrinha, estranhamente apática.
- Não sei... passa o mel, fazendo o favor.
Vivian estava mais entediada de que de costume. Tudo estava estranho nos últimos dias, principalmente seu namorado. Ele não respondia mais os recados, não ia mais vê-la como sempre. As ruas pareciam mais cinzentas, o céu não tinha o mesmo azul.
- Acho que vou na casa do Eddie.
- De novo atrás desse sujeito, Vivianne? Eu já te disse que ele não é coisa boa...
- Você já me disse isso, tio, eu sei... mas não vai mudar em nada o que eu penso sobre ele.
- Ele sumiu, e nem pra te dar notícias serve; e você ainda fica correndo atrás; não, isso não é certo.
- Tá bom tio, tá bom... - e se levantou, visivelmente magoada.
- Não vai mais comer?
- Não, deixa pra lá...
Se levantou, escovou os dentes, e saiu, decidida a encontrar Eddie naquela tarde. Ela também tinha um amor verdadeiro, e considerava isso a coisa mais significativa da sua vida. "Até de noite eu volto", escreveu um recado na pequena lousa na cozinha, e saiu pelos fundos. E um detalhe lhe chamou a atenção na hora: o pequeno duende que ficava sentado embaixo da árvore do quintal tinha sumido. Realmente estranho pra ela, que tinha se acostumado a vê-lo a uns 3 anos já, desde sua Crisálida. "Pelo menos uma dessas porcarias quiméricas a menos pra me encherem o saco", pensou.
Abriu o pesado portão de ferro, e ali começou o seu drama do ano. Nada mal para a jovem indie queen.
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- Pois então mande matar, e logo - Raposa disse a Alice, com todo o tom de inquietação possível em sua voz.
- Mas...
- Hell's Kitchen sábado, e sem mais desculpas.
- Sim senhor.
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Luiz Costa
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