domingo, 11 de novembro de 2007

Capítulo 3: Dream to Make Believe

Brett Witter finalmente saiu do apartamento, depois de seu longo banho de meia hora. Mesmo a fome, o tédio ou qualquer compromisso não o fariam passar menos tempo debaixo do chuveiro, nunca. Era algo que ele considerava sagrado, ligar a música (normalmente The Juliana Theory, Silverchair ou Underoath, dependia de seu humor no dia), passar um bom tempo com a água quente escorrendo pela sua pele; e depois lavar seus longos cabelos. Duas vezes. E sempre esse banho era depois de acordar, todos os dias. E era o que bastava a ele para se manter de bom humor (ou pelo menos um pouco melhor do que acordou), o resto do dia.
Cumprimentar o porteiro do prédio e discutir sobre um assunto qualquer da mídia também fazia parte de seus rituais diários; e o terceiro e último era dar uma passadinha no parque, no cruzamento da Ocean Avenue com a Richards. Trocar a comida dos pássaros, e apenas olhar as árvores, o último suspiro da natureza na cidade dos anjos.

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Natureza era algo que Brett realmente sentia falta, desde que saiu de Palmdale, sua cidade natal. Era uma cidade média (pouco mais de 100 mil habitantes), separada da capital por algumas montanhas apenas. Seus pais tinham uma fazenda de algodão, com um pequeno bosque ali perto, e seu lugar preferido duranta a infância: a cachoeira.
Quando chegou a adolescência, começou a freqüentar mais a cidade; então veio a high school, o rock and roll, e o desejo inevitável de fazer uma banda. Brett não sabia, nem tinha a capacidade pra tocar nenhum instrumento, logo teve que assumir os vocais. E uma coisa todos lhe diziam: o garoto tinha talento. Sua fama com o Mossdeep (nome sugerido pelo baixista, Hawk) se espalhou pela cidade inteira, e logo eles eram bem conhecidos por todo o lugar.
O destino dessas bandas de cidades pequenas é gravar uma demo, arrumar uma gravadora e ir morar em lugares mais populosos, aonde a exposição e a chance de sucesso é maior. Com eles não podia ser diferente, então foram os quatro para Los Angeles. Tocando em barzinhos, ganhando reconhecimento do público underground - o post-hardcore complexo que eles faziam (com influências diversas, de At The Drive-in a Armor For Sleep) não tinha espaço nas grandes rádios. Tudo ia bem, depois de algum tempo, com trabalho duro e sorte poderiam chegar a algum Top 10 na parada "alternative rock", mas algo veio para quebrar a carreira dos quatro jovens.
Numa noite, voltando de um pequeno show, um bêbado avançou o sinal e bateu no carro em que estavam os irmãos Ryan e Pete (baterista e gutarrista). Brett e Hawk perderam seus melhores amigos, de uma vez, e no momento da escalada em busca do sonho dos quatro. Hawk voltou para Palmdade, e o vocalista da banda resolveu ficar sozinho na cidade grande, tentar outra coisa. Mossdeep tinha acabado ali, e todo o ícone de uma juventude também.

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Graças a sua enrolação habitual, foi chegar no shopping já eram 5:15 da tarde. Comeu uma porcaria japonesa qualquer (não tinha conseguido se decidir entre McDonalds e Burger King, então podia ser outra coisa mesmo), depois foi esperar Seth na grande fonte da entrada. E para sua supresa, ele já estava lá. "Sei lá, mania minha de chegar adiantado"; e Brett fazia sempre a mesma coisa.
- Vamos então?
- Pra onde primeiro?
- Casa do Eddie... preciso pegar umas coisas minhas, e falar com ele também.
- Eddie é seu primo, o da festa lá?
- É, ele mesmo.
- OK então, vou pegar meu carro lá fora.

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Brett tinha um Porsche amarelo conversível, ano 1982, de família. Depois do acidente com seus amigos, ele ficou meio sem rumo na vida; não fazia nada além da Mossdeep, e vivia com o (pouco) dinheiro dos shows, e suas economias de quando morava em Palmdale. Sem ter conseguido nenhum emprego ainda, morava no apartamento com Ryan e Pete; e quando eles morreram ainda havia um mês de aluguel pago. Mas, meio por coincidência, seu avô também foi desta para melhor, duas semanas depois. E o que ninguém sabia é que ele tinha uma grande quantia em dinheiro guardada, que deixou para seu neto único.
Ao invés de torrar tudo de uma vez, ele decidiu ser esperto e investiu em algo mais rentável: apartamentos. Na cidade grande, isso sempre é uma necessidade, então não faltaria gente para alugá-los. Comprou uma para si mesmo, e conseguiu mais dois com o resto da herança. E ao voltar de sua cidade natal (onde tinha ido para resolver esses assuntos do testamento), seu pai lhe deu o carro.
Aos 21 anos de idade, Brett Witter era praticamente um aposentado, tendo moradia própria e uma fonte de renda constante. Não era muita coisa, mas o suficiente para levar uma vida confortável sozinho.

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A casa de Eddie ficava a mais ou menos uns 20 minutos do shopping center, o que era razoavelmente longe. A surpresa para Seth foi que ele não estava lá quando eles chegaram. Mas ele tinha a chave, pelo menos um problema a menos. O iPod estava em cima da mesa, os cabos de som idem, mas o problema era a carteira. Aonde será que seu primo tinha colocado?
Os dois estavam procurando, quando a porta se abriu. "Deve ser ele", ambos pensaram, mas ao invés disso uma surpresa. Olhos cor de mel, cabelo castanho com reflexos dourados, maquiagem ressaltando seu olhar levemente triste, 1,70m de altura, silhueta perfeita, blusinha preta e uma calça jeans, com um all-star cáqui. A garota mais linda que Brett veria na vida, mesmo que encontrasse celebridades todo dia em Hollywood e Malibu.
- Oi? - ela disse espantada.
- Vivian, né? - Seth respondeu, enquanto o outro simplesmente olhava abobado.
- Isso, certo. Cadê o Edward?
- Pois sabe que eu não sei também, chegamos aqui faz uns cinco minutos e ele não tava... Acho que vou ligar no celular dele...
- Não, nem precisa - respondeu a indie queen, apontando o aparelho do namorado sobre a estante.
Isso, para os dois, significava que ele realmente não queria ser encontrado. Para Brett, não significava nada, tudo o que importava no momento era a deusa que ele tinha diante de si. Ou fada, na verdade.
- Que droga, faz quase uma semana que não consigo falar com ele.
- Pois eu também não, ele me deixou um recado ontem mandando eu vir pegar minhas coisas, mas depois tentei ligar e nada de atender.
- Chato isso... sabe aonde ele pode estar?
- Bem Vivian, eu diria a minha casa, mas como eu estava lá até sair com Brett, acho meio difícil.
Os três ficaram ali pensando aonde encontrar o dono da casa. O pior é que estavam certos sobre o celular dele largado em casa; Eddie não queria que ninguém o achasse, ninguém mesmo.

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Logo depois de pegar o primeiro ônibus que viu é que ele começou a pensar no que poderiam fazer em sua casa, ou com as pessoas que ele se importava; então viu que precisava de alguma coisa pra impedir isso. O que fazer, voltar e peitar os capangas que foram atrás dele? Não, muito arriscado. Ir peitar direto o Raposa e resolver tudo de uma vez? Pior ainda, era morte na certa. Isso era um problema, e para essas coisas seu Avatar não dizia nada. Resolveu ir direto atrás do que lhe importava, a única coisa importante nesse mundo: seu amor.
Eddie decidiu que iria para a casa de Vivian procurá-la. Tentou mantê-la longe de todos os problemas de sua vida até agora, achando que estava protegendo-a... viu que isso não adiantaria nada. Além disso, ele suspeitava que o tio dela tinha algo de especial, algum poder que ele escondia de todos, pelo menos com isso ele poderia ajudá-lo.
Abriu a mochila para beber sua última dose de sangue (esse era especial, tinha obtido de um vampiro ancião especialmente poderoso), e foi quando notou um pequeno objeto de metal. Reconheceu como um tipo de rastreador quando viu mais perto. "Droga, algum maldito estava me espionando todo esse tempo". Jogou pela janela, logo embaixo da roda do ônibus; e depois desceu no primeiro ponto para voltar ao caminho certo - sempre pelos lugares de maior movimento, para não ser notado.
"Merda, o último cigarro", praguejou antes de olhar pra cima e ver quatro dragões empoleirados em cima de um pequeno prédio comercial. Pois é, as coisas estavam indo de mal a pior.

2 comentários:

joanarroz. disse...

aaah sua imaginação.. ;x hseihsaoihe soh vce.! mto massa. ;x hohoho, esperando o proximo sipá neh?! s6

Unknown disse...

O que vai acontecer com o Eddie? *-* JAOAPAJSOPA
hist�ria incr�vel�, muito boa mesmo :)