Mary Caillat representava para Brett toda uma época feliz. No entanto, ela sempre foi algo inalcançável para ele, o ícone máximo de toda a divisão pessoas populares-comuns que sempre existe na high school. E ali estava ele, sentado na mesa com ela, Hawk, Seth, Eddie, e mais duas garotas e um cara que ele não tinha a mínima idéia de quem eram. E pouco lhe importava no momento. Conversavam sobre mídia, política, economia, e música. O tipo de papo de pessoas semi-intelectuais bebendo. E os olhos azuis dela se destacavam com a pele bem clara, ela estava muito mais linda. Queria apenas ficar perto dela, ouvir sua voz. E o inacreditável era que ela dava atenção a ele mais do que a qualquer outro na mesa. Como se os anos de desprezo na escola não tivessem significado nada. Enfim, passado fica pra trás nesses momentos.
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A ruiva em sua frente acendeu um cigarro, Vivianne olhou atentamente.
- Posso pegar um?
- Você fuma, garota?
- De vez em quando só, sei lá...
Ela estendeu o maço. A indie queen olhou relutante, nunca tinha pegado num cigarro em toda sua vida. "Dane-se", pegou, acendeu, e tossiu na primeira tragada.
- Eu sabia, haha. Vocé é muito burguesinha pra isso. - tudo o que recebeu de volta ao comentário foi um olhar mal-humorado. Na segunda vez foi melhor, sentiu uma sensação de relaxamento. Que aquela situação não importava por alguns minutos, o tempo que o cigarro durou.
As duas ficaram quietas por mais um tempo, quando aconteceu um barulho do lado de fora. Vidro quebrado, ou coisa do tipo. Alice logo se levantou, tomou distância e apontou uma arma contra a porta; Vivian, amarrada, só observava. Foi quando a maçaneta girou, e a porta se abriu silenciosamente. Foi entrando por ali um homem na casa dos 27 anos, imponente, traços alongados, cabelos compridos e lisos, calças e camisa, simples porém elegante.
- O que quer aqui? - a vigia logo gritou.
- Minha cara, eu acho que seria uma melhor idéia abaixar a arma, antes que alguém se machuque. - sua voz era calma e reconfortante, do tipo que se dá vontade de obedecer.
- Quem é você?
- Calma, relaxe, respire fundo, ninguém precisa se exaltar aqui.
Alice pareceu afetada fortemente por esse pedido, e colocou a arma no chão. Não é uma coisa que uma pessoa em sã consciência faria, mas é o que aconteceu. Vivian só olhou surpresa, enquanto o estranho desamarrava os nós que lhe prendiam à cadeira.
- Muito bem então, qual seu nome?
- Alice.
- Certo Alice, então eu vou levar a garota aqui comigo, e você só vai ficar aqui por uns 10 minutos, sem fazer nada; depois pode ir, tudo bem?
- Tudo... - ela respondeu, sem muita animação na voz.
- Então, até logo minha querida.
E os dois saíram, sem cerimônia. "Não fale nada por enquanto, quando estivermos lá fora te explico"; tudo bem né, ela não iria reclamar por ter sido tirada de seu cativeiro.
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E Eddie, quando começaram as tequilas, percebeu uma coisa: não podia fazer nada em relação a Vivian. Ela estava nas mãos do Raposa, e tudo o que ele podia era aguardar o tal "daqui a duas horas entro em contato". E tudo o que ele mais odiava era essa sensação de incapacidade frente ao mundo. Não controlar sua vida. E tinha feito sua escolha já, ele daria sua vida pela vida dela. Pelo menos o vampiro tinha um tipo de honra interior, e não quebraria um acordo. Voltou a si e tentou pelo menos aproveitar o lugar. Porém, as conversas banais, a música, as pessoas e a sinuca; tudo lhe era entediante no momento.
Celular de Vivian toca, era um número não-identificado. Saiu do bar e foi atender.
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- Coma esse biscoito.
- Como?
- É só comer, senão ficaremos presos aqui.
Era um cookie com gotas de chocolate, ela julgaria delicioso se não tivesse sido dado por um estranho. Desconfiança era parte da personalidade de Vivian.
- Qual seu nome?
- Ah desculpe, não me apresentei. Ling Ariser. - e estendeu a mão. Enquanto ela o cumprimentava com a direita, deu uma mordida no biscoito com a esquerda.
Sabor delicioso, e lhe deu uma sensação estranha. Tinha um gosto que parecia uma mistura, de grama molhada, com "forgotten kisses" (o nome de um doce que sua tia fazia), e o beijo de seu namorado. Fechou os olhos para saborear; e quando os abriu, o tal Ling tinha se transformado. Usava uma armadura cerimonial, uma espada na cintura, e uma coroa dourada. E mais, à sua frente estava parada uma carruagem, com dois pégasos ao invés de cavalos. Ela apenas olhou, num misto de espanto e fascinação.
- O que aconteceu?
- Isso que você comeu é um biscoito especial, tem Glamour nele. Se você não tivesse se entregado à Banalidade, não precisaria comer isso para ver o mundo dessa forma.
"Como? Ah, conversa de fadinhas de novo", pensou aborrecida.
- E pra que eu ia querer isso? Prefiro minha vida normal, quero voltar e viver em paz.
- Normalmente eu lhe deixaria fazer isso, mas agora você não tem escolha. Sinto muito, você tem que vir comigo.
Ela olhou, e pensou nas alternativas. Não tinha a mínima idéia de onde estava, o lugar era tipo um galpão abandonado. Sem celular, e sem suas coisas, a chance de sair dali era muito pequena. Resolveu aceitar a idéia que lhe foi oferecida, pelo menos o cara tinha lhe tirado dali. Entraram na carruagem do Duque Ariser (como ela ficaria sabendo mais tarde), e os pégasos começaram a voar. E diziam que a lua mexia com todas as pessoas, e nesse caso estava mexendo com toda sua vida também.
terça-feira, 20 de novembro de 2007
Capítulo 7: Danger Drive
Postado por
Luiz Costa
às
05:49
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