quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Capítulo 8: Une Année Sans Lumière

Algum pouco tempo depois, a carruagem pousou, no parque da esquina Ocean Avenue - Richards.
- Eu preciso de um orelhão, senhor Duque.
- Ligar pra alguém?
- Em casa. Dar notícias pelo menos.
- Tudo bem então.
Os dois andaram um pouco, até o telefone público mais próximo. Seu celular, seria uma ligação mais fácil. Geralmente sua tia passava horas ao telefone de noite, por isso tentar ligar na casa seria besteira. Discou, e nem ela nem Ling ouviram o barulho de passos se aproximando.
Para sua surpresa, quem atendeu não foi seu tio, e sim Eddie.
- Amor?
- Vivian, por onde andou?
- Ah, é uma longe história... me diz aonde você tá.
- Aqui no Hell's, eu tentei te procurar por um tempo, mas nada. Então seu tio me deu seu celular, ele também ficou preocupado.
- Tudo bem, estou indo aí então... te amo, viu... - e do nada a linha ficou muda. Ela olhou ao redor, e viu um homem, alto, cabelo raspado, uma cicatriz na cara, bem à sua frente. Quase caiu para trás com o susto.
- Senhorita Vivianne Crow?
- Quem é você?
- Isso lhe é irrelevante, vim atrás do senhor Ariser.
Dizem as lendas que pronunciar o nome de um nobre poderoso da corte feérica pode chamar a atenção do mesmo, e foi isso o que aconteceu. Imediatamente o Duque se virou (estava observando algumas crianças brincando no parque, e se lembrando de sua infância), e gritou "Corra!". Por algum instinto, foi o que Vivian tentou fazer. Sorte a dela que o estranho automaticamente a ignorou, e foi atrás do Duque. Enquanto corria, ela ouviu tiros.

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Quando a linha caiu, Eddie achou estranho. E ficou ainda mais preocupado, por mais que ela tivesse lhe dito que estava bem. E para seu azar, não tinha dinheiro para comprar um mísero maço de cigarros. Se encostou no capô de um carro parado ali, e ficou pensando. Foi quando viu entrando o gerente do lugar, seu velho conhecido Howie. E ele tinha... chifres e pés de bode? E de jeito nenhum aquilo era efeito do álcool.
Achou que seria apenas algum detalhe que ele esqueceria em poucos minutos, se Howie não tivesse parado de repente, meio que como se tivesse percebido algo; e logo depois virado e vindo conversar com ele.
- E aí cara, como andam as coisas?
- O que aconteceu contigo? - o gerente veio logo perguntando, ignorando qualquer "educação".
- Como?
- Você tá diferente, e eu sei que tá me vendo diferente hoje também... o que você fez?
- Sobre os pés de bode? Não estou te entendendo...
- Conseguiu Glamour aonde? - foi quando ele começou a ligar uma coisa com a outra.
- Então você também é uma fada?
- Esse negócio de "fada" é pejorativo, dizemos Kithain. E sim, agora só quero saber como você conseguiu isso.
- Eu sinceramente não sei, desde hoje mais cedo estou vendo coisas... dragões, e tudo o mais, realmente estranho.
- Faça uma coisa então, não diga a ninguém sobre mim. E sobre o resto também, de preferência. Correto?
- Tudo bem, fique tranqüilo.
- Viu se o Ling já chegou? - Ling era o famoso dono do Hell's Kitchen, o "louco" que recusou uma vez uma oferta milionária pelo estabelecimento, dizendo que dinheiro algum valia a satisfação que ele tirava dali.
- Acho que não, nem vi ele lá dentro.
- Tudo bem, vou entrar lá... a gente se fala, Eddie.
- Até mais, meu caro.
"Engraçado, fadas e seres estranhos por todo lugar. Aonde eu verei o próximo dragão?", ele pensou, rindo do acontecido. Foi quando virou-se e viu Vivian correndo para onde ele estava. E o mais estranho, umas quatro ou cinco coisas (na falta de uma definição melhor) feitas de sombra flutuando atrás dela.

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Logo depois que o show acabou, Hawk e Seth foram falar com a banda (era uma tradição dos frqüentadores do lugar fazer isso); uma das outras duas garotas na mesa disse que ia lá fora ver se encontrava um "amigo" dela, e a outra foi embora com o namorado - pois é, eram um casal, e Brett não tinha percebido. Aliás, quase nada naquela mesa lhe importava, à exceção de uma única pessoa. E talvez agora ele teria sua chance.
- Por que as pessoas mudam?
- Como? - ela respondeu.
- Tava pensando aqui, na época da escola tu nem percebia que eu existia, e agora, nós dois conversando num barzinho. Engraçado isso, como o tempo passa...
- Ah, eu achei que nunca ia te dizer isso... mas depois do segundo ano do colegial eu era apaixonada por você.
Ele parou, e olhou surpreso. Simplesmente não acreditava naquilo que ouvia.
- É brincadeira?
- Não, é sério... eu sempre achei o seu jeito de ser interessante sabe, e quando você e sua banda fizeram aquele show pra escola, tocaram as músicas que eu mais queria ouvir... você pode achar esquisito, mas sempre gostamos do mesmo tipo de música, eu acho.
- Aaah, isso eu não imagino...
Mary Stuffs ouvindo At the Drive-in e Underoath?
- Pois é...
faz parte da raiva adolescente, não? Mas enquanto alguns ouvem punk rock, eu prefiro o post-hardcore. Mais... refinado.
Brett só olhou e sorriu. Começando a descobrir coisas em comum com a garota que, no seu universo, estava o mais longe dele possível.
- E porque você não me disse então, que gostava de mim?
- Aquela coisa de reputação, sabe? Mas nunca que eu poderia ser vista com o "emo" da escola... se não iria por água abaixo tudo que eu tinha. Mas então a escola acaba, e nada disso importa mais.
- Pois é, ainda bem que você percebeu.
Um pequeno silêncio na mesa, amobs balançando os copos vazios, cada um meio encabulado, ao seu modo.
- Me leva pra algum lugar, Brett?
- Para onde?
- Aonde você quiser. Me tira daqui, só isso que te peço.
E com aqueles grandes, lindos e brilhantes olhos azuis lhe fixando, ele não seria capaz de negar algo desse tipo. Pegou as chaves, a mão de Stuffs, e foram em direção à porta.

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