quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Capítulo 1: Teahouse of the Spirits

Brett abriu os olhos, seu despertador tocava 4 da tarde já. Tinha que se apressar, pra poder chegar a tempo no ensaio.
Foi realmente estranho como tudo aconteceu, desde a noite em que tudo deu errado no Hell's Kitchen, a festa que rolou depois na casa daquele sujeito estranho, um tal de Eddie, se ele se lembra, até um total desconhecido - primo do tal Eddie, ao que parece - o chamar pra cantar na banda dele. Enfim, o que importava a Brett no momento é que ele tinha uma banda. Voltar aos tempos das gigs fantásticas, arrumar algo útil para passar o tempo e poder completar de novo o trio "sexo, drogas e rock and roll". Tudo que ele queria.
Praguejou quando viu que não tinha sobrado sucrilhos, nem coca-cola, nem uma mísera cerveja. O jeito era ir comer no shopping mesmo, ver se dava uma volta, encontrava algum conhecido, ou qualquer coisa boa para sua quinta-feira. O que ele não sabia é que o fim de tarde lhe reservava muita coisa boa ainda.

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Enquanto isso, num outro canto de Los Angeles, um outro cara estava tentando ir dormir. O tal do Eddie, que era conhecido por dar as melhores festas do distrito de Silver Lake.
É um dos caras do tipo que ninguém sabe tudo sobre sua vida, nem mesmo sua namorada, Vivian. Mesmo assim, conseguia ter contatos, amigos e conhecidos em toda parte. Talvez porque já tinha feito parte do tráfico de heroína; ou por conhecer pessoalmente quase todas as bandas da cena underground da cidade; ou mesmo pelas suas festas, regadas a álcool, maconha e som da melhor qualidade. Mesmo desconsiderando isso, seu carisma incomparável lhe garantia a simpatia de todos.
Não por ser bonito, pelo contrário. Fisicamente falando, Edward Reel era o típico cara médio, que não se destacava nos lugares. Quando alguém via ele com Vivian, até estranhava: "O que um cara assim está fazendo com uma mulher dessas?". Mas era só Eddie começar a falar que o carisma se tornava evidente. Sua desenvoltura ao falar, seu jeito cativante, isso o tornava "o cara mais legal que eu já conheci", pra todo mundo.
Apesar disso, a crise de meia-idade começava a tomar conta dele. Não que fosse velho, ele tinha 19 anos ainda. Mas, o vício em álcool e nicotina, e tudo o mais o que a vida desregrada traz começaram a torna-lo velho. Rabugento. Sem esperanças.
Mas tinha algo mais pra piorar tudo: ele não era um simples cara comum. Se fosse simples assim, uns tempos numa clínica de reabilitação, e ajuda psiquiátrica poderiam resolver isso. Sua família era rica, não veria problema. Mas acontece que Eddie era viciado em sangue (além dos cigarros e do álcool), tinha uma pequena capacidade de controlar o tempo e o acaso (o que ele mais odiava, mas que se manifestava contra sua vontade), e, pelo menos até onde sabia, não era capaz de envelhecer mais. Teria aquela aparência jovem para sempre. E, com ele começando a odiar sua vida, não era uma coisa boa. Ao menos ele tinha algo que podia chamar de amor verdadeiro.

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- Vai fazer alguma coisa hoje? - Reich perguntou a sua sobrinha, estranhamente apática.
- Não sei... passa o mel, fazendo o favor.
Vivian estava mais entediada de que de costume. Tudo estava estranho nos últimos dias, principalmente seu namorado. Ele não respondia mais os recados, não ia mais vê-la como sempre. As ruas pareciam mais cinzentas, o céu não tinha o mesmo azul.
- Acho que vou na casa do Eddie.
- De novo atrás desse sujeito, Vivianne? Eu já te disse que ele não é coisa boa...
- Você já me disse isso, tio, eu sei... mas não vai mudar em nada o que eu penso sobre ele.
- Ele sumiu, e nem pra te dar notícias serve; e você ainda fica correndo atrás; não, isso não é certo.
- Tá bom tio, tá bom... - e se levantou, visivelmente magoada.
- Não vai mais comer?
- Não, deixa pra lá...
Se levantou, escovou os dentes, e saiu, decidida a encontrar Eddie naquela tarde. Ela também tinha um amor verdadeiro, e considerava isso a coisa mais significativa da sua vida. "Até de noite eu volto", escreveu um recado na pequena lousa na cozinha, e saiu pelos fundos. E um detalhe lhe chamou a atenção na hora: o pequeno duende que ficava sentado embaixo da árvore do quintal tinha sumido. Realmente estranho pra ela, que tinha se acostumado a vê-lo a uns 3 anos já, desde sua Crisálida. "Pelo menos uma dessas porcarias quiméricas a menos pra me encherem o saco", pensou.
Abriu o pesado portão de ferro, e ali começou o seu drama do ano. Nada mal para a jovem indie queen.

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- Pois então mande matar, e logo - Raposa disse a Alice, com todo o tom de inquietação possível em sua voz.
- Mas...
- Hell's Kitchen sábado, e sem mais desculpas.
- Sim senhor.

4 comentários:

. disse...

Eu quero o pr�ximo cap�tulo, Sir Lizo

Unknown disse...

incrível :) uma ótima história *-*

Eu quero o próximo capítulo, Sir Lizo - 2 votos

:DD²

Anônimo disse...

ahh...
você já está no 6° capítulo, e eu lendo o primeiro ainda :D

demorei, mas li :D
tá ótimooo

beijoo

Unknown disse...

To começando a ler agora Lizo!
maurin q me passo o Link!!