Quando o viu, ela sentiu talvez a maior felicidade de toda sua vida. Pulou nos braços de seu namorado e o beijou. Era o que mais precisava no momento. E tudo pareceu rodar, e o resto do mundo não importava mais. Eram apenas ela e ele, os dois ali na calçada da avenida. Quando parou, olhou no fundo de seus olhos, e disse, com aquele sorriso que derretia qualquer coração:
- Amor, eu tava com saudade...
- E eu preocupado... o que aconteceu? - ele reparou que as sombras tinham sumido logo depois do beijo.
- Vamos sentar aqui que eu te conto. Aliás, tenho mais coisas pra te dizer que eu acho que você não sabia.
Eddie apenas olhou surpreso, e com um pouco de ansiedade para ouvir tudo aquilo. Então ela começou a falar, sobre as coisas estranhas que via, o seqüestro, e tudo o mais. Ele apenas escutou com atenção, sem comentar nada; e refletindo se valeria a pena contar pra ela seus segredos. Que na verdade ela podia ter sido levada por culpa dele, e sua dívida de honra com um perigoso vampiro, e maior traficante de heroína de toda a Los Angeles.
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Brett e Mary caminhavam pela avenida, conversando sobre coisas banais, sem um destino certo. O céu estrelado e sem nuvens, e ele com a impressão de que tocava uma música ao fundo. Algo tipo John Mayer, ou uma das coisas mais calmas que ele costumava ouvir quando estava no humor feliz-sonhador-apaixonado.
Então sentaram num banco do parque (aquele em que Brett costumava colocar comida para os pássaros), um de frente para o outro, e aquela conversa "pingue-pongue". Ela era muito igual a ele, impressionante. Livro: Catch-22; comida: sushi; medo: altura; tv: Dawson's Creek; hobby: quadrinhos; filme: Vanilla Sky, sonho: Paris. Totalmente surreal isso, algo que Brett nunca pensou que aconteceria.
- Hmm, acho que sobrou... bebida? - ele enfim falou.
- Dry Martini, o seu?
- Pois bem, em uma coisa tínhamos que discordar né... vodka com sprite.
- Aah, tão colegial isso... a fim de encher a cara agora?
- Aonde?
- Bem, tem um supermercado aberto duas quadras abaixo ainda, a gente compra e vai tomar sei lá... na sua casa, o que acha?
E seria desnecessário dizer que ele aceitou na hora. Já estava se levantando, quando Mary o interrompeu.
- Espera aí... - e parou e ficou o encarando. Seus olhos azuis pareciam estar mais brilhantes do que nunca, e o beijo aconteceu.
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Ling não achou de todo estranho o cara da cicatriz vir lhe procurar, apenas achou ser um pouco cedo. Já vinha em sua direção tirando uma pistola do coldre, enquanto Vivian corria. O Duque começou a correr em uma diagonal, se desviando de seu oponente; então ergueu o braço direito, e um vento sobrenatural sacudiu o lugar. Estava apelando ao Fado, um recurso que permitia às fadas usarem seus poderes no "mundo real".
- Não tão cedo, senhor Raposa.
- Pois veremos então... - e começou a atirar. Ling, com um único movimento de sua espada, ergueu uma espécie de escudo protetor invisível, e todas as balas caíam no chão, a um metro de distância. Logo começou a ativar suas mágicas de rapidez e tudo o mais, e via que o vampiro usava poderes do mesmo tipo.
- Precisará de mais que simples armas de fogo; se vamos ter um combate, que seja digno.
Entre golpes de espada quimérica, Raposa criou garras em ambas as mãos. Elas pareciam rasgar até o próprio ar, o que manteve Ariser mais esquivo. Sabia o que esses poderes vampíricos podiam fazer, e o percebeu ainda mais quando começou a pingar ácido das mãos de seu inimigo. A cada segundo que passava, os golpes de ambos tornavam-se mais e mais rápidos, e um pouco mais letais também.
Foi quando ele pensou, "fogo". Logo sua espada irrompeu em chamas, o que causou um pânico imediato no vampiro. Essa pequena distração o permitiu ser atingido, e logo sua pele começou a queimar. "Desgraçado, ainda me paga", disse logo antes de afundar na terra e sumir. Ling olhou ao redor, dissipou o Fado, e também a magia de ocultamento que protegia a área. Então sentou, suspirou e descansou, exausto. A luta pode ter durado menos que 30 segundos, mas o cansaço foi do tipo de como se tivessem se passado horas.
Então olhou para sua perna, e viu um ferimento muito estranho. Um corte profundo em sua coxa, com uns 8 centímetros, totalmente infeccionado, como se fosse um machucado deixado ali por anos sem nenhum tratamento. O pus escorria e borbulhava, e um líquido continuava corroendo. Lentamente, a ferida se tornava maior e mais estranha. E o esquisito é que não doía nada, estava totalmente insensível. Se não tivesse parado para olhar para sua perna, não ia perceber nunca.
Então percebeu que alguém disse seu nome no Hell's Kitchen (tinha virado um Tabu, uma espécie de proteção mágica), e resolveu ir para lá mesmo. Podia chegar ao Sonhar dali, então curar sua perna.
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- Então eu saí correndo, e cheguei aqui, e ainda bem que vi você.
Eddie apenas olhou, sem palavras. Ela tinha guardado isso por todo esse tempo para tentar lhe proteger, ela tinha lhe dito. E ele tinha pensado na mesma coisa. Seria melhor manter tudo em aberto, o que os dois tinham feito não era correto. "Pois eu também tenho que dizer umas coisas", falou olhando no fundo dos olhos de Vivian.
- Não sei o que vai pensar de mim depois que eu dizer tudo isso, mas não se esqueça que eu te amo.
- E eu também, isso independe de qualquer coisa - e se abraçaram. Um quarteirão longe vinha o Duque Ariser, arrastando a perna direita. Eddie viu um machucado terrível, e pela primeira vez também viu ele com a espada, a armadura, coroa, e tudo o mais, como Vivian tinha lhe dito. Ela porém, apenas o viu como uma pessoa normal, mancando por algum motivo.
- Será que o Glamour acabou tão rápido?
- Como...?
- Aquele cara vindo ali que é o tal Duque que me salvou... e ele está do jeito que era antes de me dar o biscoito mágico lá.
- Estranho, pois eu vejo ele como você descreveu. E ele tem um ferimento muito estranho na perna.
Ela só olhou espantada. Como ele conseguia enxergar tudo isso?
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Ling estava se aproximando, e viu Vivian sentada com o velho Eddie, o que freqüentava sempre seu bar. Ela, estranhamente, tinha perdido toda a magia do biscoito já, em menos de meia hora (supostamente duraria uma noite inteira). Enquanto seu namorado lhe parecia como um "buraco negro", sugando não só o Glamour dela, mas também de tudo que o cercava, de forma lenta e exponencial. Porque isso acontecia, ele não podia explicar.
Foi quando sentiu um barulho estranho em algum lugar do céu, e olhou para cima tentando descobrir o que era. Apenas o que viu foi um clarão, e tudo sumiu.
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
Capítulo 9: Slow Dancing in a Burning Room
Postado por
Luiz Costa
às
07:33
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2 comentários:
como assim, sumiu?
gostei desde capítulo. Próximo =]
por enquanto o melhor capitulo!!
a batalha do Raposa com o Ling... mto xiq XDD
Next! >>>
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