terça-feira, 14 de julho de 2009

Epílogo: Rock and Roll All Nite

- Bem, boa noite amigos... é um prazer recebê-los aqui novamente. A razão da festa de hoje é o lançamento do EP Cheap Fiction, de uma banda chamada Mossdeep, que já tocou aqui antes, e agora voltou com nova formação. E eu conheço pessoalmente todos eles, então posso garantir a qualidade. Palmas para a Mossdeep! – disse Eddie, enquanto Brett, Hawk e os dois outros integrantes subiam no palco.
- Obrigado, Eddie, obrigado a todos.
- Não tem de quê. Mas, antes deles começarem, uma outra coisa importante. Há exatamente um ano atrás, faleceu o idealizador desse bar, saudoso Ling Ariser. Tem sido um prazer incomparável ser o host aqui do Hell’s Kitchen, mas pra sempre lembraremos de Ling. Um minuto de silêncio, por favor.
E Eddie e Howie se olharam nesse momento. Howie tinha herdado o bar de Ling, – ele não tinha nenhum parente, então o testamento era livre – mas sabia que não seria capaz de manter o mesmo espírito de antes. Além disso, queria se aposentar, então contratou Eddie para ser o gerente e host do bar. De quarta a domingo, inclusive feriados, e um salário ótimo. Era o melhor emprego que Eddie poderia sonhar em conseguir em toda sua vida.
- Então agora, com vocês, Mossdeep. Muito obrigado por terem vindo.
E com uma reverência ao público, Eddie desceu do palco e abraçou Vivian.
- Você foi ótimo amor, como sempre.
- São seus olhos, querida... – disse com um sorriso. – Agora estou mais tranqüilo, tenho mais tempo para você.
Vivian sorriu de volta e lhe beijou.
- Eles estão realmente bons, não?
- Pois é. Brett tem uma voz realmente boa.
- E quando eu vi ele com Seth na sua casa ano passado, nem botava tanta fé assim...
- Falando em Seth...
Alice tinha acabado de entrar no Hell’s. E, por mais improvável que fosse, de mãos dadas com um cara. Ela estava... namorando?
- Não.
- Parece que sim. Ela está vindo pra cá.
E ela estava um tanto feliz, ainda. E o cara tinha um jeito esquisito, mas parecia bem também.
- Boa noite, Eddie, Vivian.
- Boa noite, Alice.
- Esse aqui é Mark... meu namorado. Mark, Eddie e Vivian, dois amigos meus. E Eddie é o gerente aqui do Hell’s.
- Muito prazer.
- Amor, pega uma cerveja pra mim?
- Claro.
- Eu te acompanho, Mark. – disse Vivian.
Ele apenas assentou com a cabeça. Não parecia ser do tipo que puxava assuntos. Vivian, pelo contrário, estava muito menos tímida desde que tinha entrado na faculdade – cursava história contemporânea, artes plásticas, literatura.

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- E quem é o tal sujeito aí?
- Lembra quando me perguntou como estavam as aulas de teatro, e eu disse que tinha um carinha interessante lá?
- Sim. E logo depois você largou o curso.
- Pois é. Depois que ele largou. Aí então passaram-se alguns meses, e a gente se encontrou por acaso na rua. Começamos a sair, e deu no que deu.
- Faz quanto tempo que você tem saído com ele?
- Desde agosto, eu acho.
- E escondendo o ouro, hein?
- Ah, até esses dias atrás não era grande coisa. E a gente não se vê mais, também...
- Essa vida de trabalhador, né...
- Sei. Como se trabalhar no Hell’s não fosse só diversão pra você.
- Ah, ter cinco dias da semana presos em algo é meio um pouco do que eu considero trabalho. Mas é legal. Esse último ano tem sido bom. Mas e o Mark? Fale mais sobre ele.
- Ah, não tem muito o que dizer. Ele é um fofo, sabe. Parece meio maluco, e quieto, mas quando a gente está sozinho ele é muito legal comigo. E acho que é só isso que eu precisava, de carinho.
- Alice tá apaixonada...
- Ah, vá... – ela disse, dando um tapinha no braço de Eddie.
- Fico feliz por você.
- Muito obrigada. É o que Becky disse, um dia eu me daria bem quanto a isso.
Eddie olhou para ela, se concentrando no que Becky tinha lhe dito.
- Becky disse que eu morreria no final daquele domingo.

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- É a primeira vez que você vem aqui, Mark?
- É a segunda, na verdade. Mas a outra faz tempo já. Se me lembro bem, seu namorado não era o gerente.
- É, ele começou aqui faz quase um ano.
- Entendi. É, um lugar legal.
- Sim, eu sei. Você trabalha?
- Trabalho no shopping, numa loja de artigos esportivos. E você?
- Estudo. Faculdade.
- Legal.
Sim, Mark era o tipo de pessoa que não puxava assuntos. Bem, era o jeito dele, quanto a isso Vivian não tinha o que fazer.
- Vou ao banheiro Mark, com licença. Foi um prazer lhe conhecer.

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- Sabe, Eddie... é o que eu estive pensando naquela sexta-feira, e algum tempo depois também. Do que adianta se prender ao destino, achando que ele é inevitável? É muito mais sábio fazer a sua parte para melhorar sua vida independente dele, e o que acontecer aconteceu. E também, quem disse que o destino é algo imutável?
- Faz sentido.
- Então. Becky me ensinou bastante, mas várias coisas eu aprendi por conta própria. Acho que com você também foi assim.
- Com certeza.
- Então relaxe, gerente do Hell’s Kitchen. Você tem aquilo que sempre quis. Me dá um abraço, vai.
- Nunca achei que fosse ouvir isso de você, Alice Scott.
- Pois é. Aproveite que estou feliz hoje.
Os dois sorriram, e olharam para Mark voltando com duas cervejas.
- Vou cuidar dos meus deveres então. Porque alguém tem que trabalhar aqui, né.
- A gente se fala, Eddie.
- Aproveite a noite. Você também, Mark.
Alice e Mark ficaram bem ali, tomando suas cervejas, e aproveitando o máximo um ao outro enquanto a banda de Brett tocava; não fazia muito o estilo de nenhum dos dois, afinal. Então, depois do final do show, Eddie – que vira e mexe dava uma de DJ – colocou uma seleção especial de Daft Punk. Alice chamou Mark para dançar com ela; ele resistiu, "você sabe, eu não levo jeito", ela pediu de novo, e os dois foram. Trombaram com Brett e Mary também dançando; – ele continuava feliz com aquela maluca, foi o que Alice pensou – era uma bela sexta-feira, afinal.

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- E então Howie, o que está achando da festa?
- Excelente, Eddie. Fico realmente feliz por ter lhe dado esse emprego.
- É um prazer pra mim, você sabe. Aliás, eu ia te perguntar... e a audiência quarta, como foi?
Howie não ia muito mesmo com a cara de Eddie, isso era verdade. Mas desde que ele tinha sido contratado, – o novo dono do Hell's tinha um bom pressentimento que Eddie era a pessoa certa para o serviço, além de Ling que vivia elogiando o elogiando – os dois tinham se tornado cada vez mais próximos. E isso era bom para o rabugento Howie (que foi amolecendo, na verdade), que não tinha amigos além do Duque.
- Então... Laura ficou com a guarda.
- Que pena...
- Ah, não tem tanto problema. Eu posso ver Alissa todos os finais de semana, e durante as férias escolares dela também. Acho que isso é até melhor pra mim, sabe.
- Ah, que bom. Quantos anos ela tem mesmo?
- Sete. E como ela cresce rápido, viu.
- Eu imagino. Um dia vou ter minhas crianças também.
- É extremamente gratificante.
- Imagino. Bem, já que estamos falando de crianças, vou voltar para a patroa.
- Claro.
- Tudo de bom, Howie.
- Você também.
- E apareça mais aqui. Você é o dono desse lugar, afinal.
- Bem, de quarta a sexta, quem sabe.

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Depois da seleção especial de Daft Punk, um som mais sussa começou. Era a hora em que o bar começava a esvaziar. "Vamos embora, amor?", Mary disse para Brett; e os dois saíram, a pé. Ela, falando sem parar sobre um assunto qualquer, não percebeu quando Brett ficou olhando fixamente para o ateliê de Emily. Estava fechado, e ela pintando as paredes do lado de dentro. Tinha demorado um ano para que as investigações fossem concluídas – e arquivadas – e tudo fosse reformado. A reinaguração ia ser no domingo à noite, com um coquetel ali mesmo. E Brett se lembraria das horas que passou com Emily para sempre, embora estivesse mais do que satisfeito com sua namorada. Emily estava muito acima dele, e ele tinha aprendido a se meter com gente do seu próprio calibre. E ainda sentia muita falta de beber vodka com sprite.

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Eddie pensou estar alucinando quando viu Ling Ariser, Becky Summers e Seth Daniels Cuervo sentados no balcão do bar. Os três conversavam, bebendo e sorrindo, e quando Eddie os viu, sorriram para ele também. Ele fechou os olhos, balançou a cabeça, e quando abriu, não estavam mais lá. Não podia ser o álcool, ele tinha diminuído seu consumo por causa do trabalho; nem sangue vampírico, a última vez que ele tinha tomado tinha sido o de Emily, logo antes de ir atrás de Raposa. E pelo que ele sabia, Alice tinha parado também. Os dois agora eram mortais novamente, e tinham menos uma coisa em comum. Bem, não importava, Eddie estava feliz por ter visto aquelas pessoas – que lhe faziam falta – mais uma vez.
- Pessoal, vamos fechar daqui a pouco. – disse no microfone – Saidera é por conta da casa.
O bar já estava quase vazio, eram 4 da manhã. Ele ficou na porta, cumprimentando os clientes que saíam (como Ling sempre fazia no tempo dele), e depois dispensou os funcionários. Ele estava cansado, arrumaria o bar no outro dia antes de abrir.
- Pronto, amor. Vamos?
- Claro, senhor gerente. – disse Vivian antes de lhe beijar.
Os dois saíram, Eddie trancou a porta, abriu o carro (comprado com seu polpudo salário), e os dois foram para a casa dele. Havia sido uma bela noite.

Um comentário:

Unknown disse...

É um misto de fantasia,sonho, filosofia e detalhes meticulosamente criados e reutilizados, numa construção excelente.
Entretenimento intravenoso a cada capítulo, é o que eu posso dizer.

Adorei, lindo...
beijo grande