quarta-feira, 24 de junho de 2009

Capítulo 38: The Unforgiven

- Então, vou indo nessa. – ela disse, vendo que não teria muito o que fazer enquanto Reich curava Eddie de seus ferimentos.
- Obrigado por tudo, Alice.
- Era uma luta minha também, Eddie. As chaves do seu carro.
- Ah, não é meu... é do Brett. Seria muito pedir para você deixar na casa dele?
- Brett... Aquele cara de cabelo comprido que parece o Emile Hirsch?
- Ele mesmo. Sabe aonde é?
- Então, engraçado... Locke me pediu um último favor, eu teria que ir na casa dele de qualquer jeito hoje cedo. Então já faço isso.
- O que ele teria a ver com tudo isso?
- Ah, nem eu entendi direito... e Locke me disse para não contar para ninguém.
- Tudo bem. Até mais, Alice.
- A gente se vê por aí. Tchau Reich, tchau Vivian.
- Obrigado por trazê-lo de volta – Vivian disse, envergonhada. Até que ela parecia ser uma boa pessoa, no final das contas.
Alice saiu da casa de Reich, e viu um nascer do sol mais amarelo que o normal. Então pensou no pôr-do-sol que Becky tinha lhe prometido, e imaginou aonde ela estaria naquele momento. O que Alice tinha aprendido nos últimos dias foi: haviam pessoas boas no mundo, era só uma questão de saber encontrá-las. Dirigiu até a Ocean Avenue, - estranhando por que diabos não havia nenhum carro ou pessoa na rua – e encontrou sua padaria favorita fechada. O que estava acontecendo? Foi até uma outra qualquer que achou no meio do caminho, tomou um café triplo extra-forte (com quilos de açúcar), comeu alguns pães-de-queijo, fumou um cigarro, e enrolou mais um pouquinho antes de ir para o endereço que Locke tinha lhe passado. Brett teria uma surpresa agradável, disso ela sabia.

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Junto com as chaves do carro estava o controle remoto da garagem do prédio, ou seja, isso não seria problema. Tampouco para entrar no apartamento – de algum modo, Locke tinha uma cópia da chave. Era um prédio de flats, um tanto agradável. Pôsteres de bandas alternativas pela sala, um som moderno, uma coleção de cds. E um fato engraçado: ali não havia televisão. Alice também não tinha TV, e nem Eddie, pelo que ele tinha lhe dito. Coincidências quaisquer que se encontra pela vida. A questão era: ela já tinha entrado no apartamento, como fazer para acordar Brett agora? Como se acorda uma pessoa que nunca se viu na vida, em sua própria casa?

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- Então Jack, o que vai ser feito?
- Não tenho idéia, Emily. O que estava falando com o garoto da estrela?
- Fui ajudá-lo. Ele disse que iria atrás de Raposa.
- Ele acha que tem chance? – um dos caras da gangue de Jack lhe perguntou.
- Não custa ter esperança. – Tequila disse – Afinal, se livrar de Raposa seria uma boa para todos, no final das contas.
- E quanto a Chris? – Emily ainda estava puta da vida com ele, claro.
- Isso vai ter que ficar para amanhã. O sol está quase nascendo. Mas com certeza tomaremos alguma providência. Encontraremos Chris em no máximo 24 horas, ou não me chamo Jack Tequila.

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A sorte de Alice foi que, enquanto ela pensava em como acordar Brett, Brett acordou sozinho.
- Bom dia.
- Quem é você? – ele disse, um tanto assustado.
- Desculpe-me pela invasão. Meu nome é Alice. Locke me mandou aqui para falar com você.
Brett ainda devia um favor ao vampiro que tinha mexido os pauzinhos e salvado sua pele. Então, tinha que ouvir atentamente o que ela dizia, sem outra escolha.
- Tudo bem. Do que se trata?
- Primeira coisa é uma boa notícia. Você não precisa se esconder do sol.
- Como assim? Não sou um vampiro?
- Acho que Locke lhe disse sobre todos os vampiros descenderem de alguns ancestrais comuns, certo?
- Sim. De antes do dilúvio, e tal...
- Então, é assim: cada vez que a maldição é passada, ela se torna mais fraca. Até que chega um ponto em que ela se torna tão fraca, que o vampiro é quase um mortal. São os chamados vampiros de sangue ralo. E você é um deles. E entre outras coisas, você não é mais afetado pela luz solar, como os vampiros mais antigos.
- Sério?
- Foi o que Locke me disse. Bom, abra as cortinas e veja por você mesmo.
Brett relutou por um momento. Será que ele podia confiar nela? Bem, se ele tivesse que passar o resto da eternidade sem ver o sol (que ele tanto admirava), seria um saco. Ou seja, valia a pena arriscar. Cautelosamente, ele foi puxando a cordinha da persiana devagar. E qual foi a sua surpresa ao colocar uma parte do braço debaixo dos raios de sol da manhã que por ali entravam e constatar que realmente não acontecia nada. Ele estava livre para poder sair quando quisesse. – Porque ele não me disse sobre isso antes?
- Talvez estava esperando um momento oportuno. Bem, é o tipo de coisa que ele faria.
- Certo... então, o que eu vou ter que fazer em retribuição ao favor?
- É algo simples.
Realmente, com Alice contando, parecia simples. O que ele não sabia é que terminaria sendo muito mais difícil do que parecia.

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Não demorou mais do que meia hora para Reich conseguir curar os ferimentos de Eddie, de maneira perfeita. Vivian não sabia que seu tio era um mago, até a volta que os dois tiveram logo depois dela se separar de Eddie pela última vez. Ela olhava, surpresa com o que ele era capaz. Alguém que olhasse para o carniçal depois desse processo de cura de forma alguma diria que ele tinha quase sido morto pouco tempo atrás.
- Vou para o salão meditar. Acho que vocês têm o que conversar.
- Muito obrigado, Reich.
- Não foi nada, filho. Descanse, pode ser que tenhamos o que fazer mais tarde.
Enquanto o mago saía pela porta da sala, Eddie sorria para Vivian. Ela fechou a porta e apenas falou “Não diga nada, torna tudo mais fácil”, assim como ele tinha lhe dito na noite de sexta-feira. Desarmado pela frase que era dele próprio, Eddie não conseguiu responder nada. Ela apenas se aproximou, e o beijou. Com o beijo mais molhado que ele já tivera em toda a vida. E o melhor, também.
- Como eu queria te ver, Vivianne Crow.
- Eu que o diga. Eu sabia que você voltaria.
- Que bom que sua intuição é muito melhor que a minha.
- Vamos dormir, você está cansado – Vivian disse, sorrindo.
Enquanto iam para o quarto de mãos dadas, Eddie pensou no quanto valia a pena dizer para ela sobre o resto de seu destino, que Becky tinha lhe dito. Sua intuição podia estar errada, quando ele pensou que nunca mais veria Vivian, antes de entrar no Sonhar. Mas provavelmente o que Becky Summers tinha lhe contado na praia seria verdade. Não, ele poderia falar com Vivian no outro dia, depois de acordarem. Deitaram abraçados, e ele pegou no sono. A primeira vez que conseguiu dormir bem em muito tempo. Desde que tinha se tornado um carniçal, talvez. E dormiu feliz, apenas por estar com ela. Ainda que tivesse coisas a resolver no outro dia. O destino sempre bate em nossa porta, no final das contas.

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O garoto da estrela tinha chegado. Era o sinal de que as coisas provavelmente chegariam a um final logo. Mas ele não se importava, sabia que sairia vitorioso no final das contas. Não fazia sentido aquela profecia. Um mero carniçal não era páreo algum, não importa quem fosse. Era importante se livrar dele logo, sim, mas a cidade já estava para acordar. E aquilo podia ficar para o domingo. Chris parou no topo de seu prédio, e entrou em sua cobertura. O palácio do antigo príncipe de Los Angeles. E, caso o seu plano desse certo, – e claro que daria, era um plano perfeito – ele logo seria o príncipe novamente. Sem Jack Tequila, ou anarquistas inúteis atrapalhando a ordem natural das coisas. Afinal, ele era o topo da cadeia alimentar. E tinha que cumprir seu papel. Deitou-se em sua cama king size, fechou os olhos, e dormiu.

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