Um longo banho de meia hora, e um beijo na testa de Mary. Tudo o que Brett precisou antes de sair naquela manhã. Não tinha a mínima idéia do porque Locke tinha lhe pedido para fazer aquilo, mas não importava. Pegou o endereço que Alice deixou (uma cobertura em um prédio num subúrbio de classe alta em Los Angeles), sua carteira (seu carro estava com pouquíssima gasolina), e as duas bolinhas de vidro de Locke. Uma era para ele, e a outra tinha que ser deixada escondida no apartamento. Mas o que diabos eram aquelas bolinhas?
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- Reich e Vivian?
- Boa tarde, Howie. Desculpe incomodá-lo no domingo à tarde.
- Tudo bem. Do que precisam?
- Algo simples. O Trod do Hell's Kitchen ainda está aberto?
- Creio que sim. A morte do Duque não o fecharia, certo?
Reich pensou por um tempo. Ele não conhecia tanto sobre as fadas assim.
- Provavelmente não. Você nos acompanharia até lá?
- Do que precisam?
- Vivian tem que entrar no Sonhar. Seria de grande ajuda.
- Vamos então.
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Brett simplesmente não conseguia entender como pessoas conseguiam morar naqueles prédios gigantes e fechados dos subúrbios de classe alta. Eram lugares um tanto desumanos, vazios, impessoais. E por mais que as pequenas ruas e alamedas fossem repletas de árvores, o lugar ainda assim parecia artificial demais. E não se via uma única viva alma pelas ruas daquele lugar, apenas carrões de vidros sempre fechados, dirigidos por pessoas fechadas em seus micro-mundos. Ele provavelmente podia circular por aquelas ruas apenas por ter um Porsche - um outro carro qualquer não entraria ali de jeito nenhum. Então, parou na frente do prédio que era o marcado. Ficava bem no centro do bairro, em um quarteirão redondo; todas as outras ruas terminavam ali, saindo em uma distribuição radial. Grades de ferro cercavam o prédio, e haviam dois guardas armados na guarita em frente ao portão. Como ele entraria ali?
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Eddie e Alice passaram em frente à lanchonete em que ela tinha almoçado no dia anterior; imediatamente ela se lembrou de Seth, e o fio elétrico que tinha estourado. Como se Eddie tivesse adivinhado seu pensamento, disse:
- Difícil acreditar que ele se foi, né?
Alice apenas olhou, triste.
- Ontem eu passei andando aqui nesse mesmo lugar com ele.
- Seth era um bom vivant. E ele conseguia escapar de cada situação...
- O que eu quero é resolver essa história dos seus piratas logo. Para então poder ir atrás de Jimmy.
- Mas não foi bem culpa dele, né?
- Não importa.
- A hora dele tinha chegado Alice, só. Não adianta... - Eddie interrompeu o que dizia, quando lhe foi lançado um olhar de reprovação. - Bem, enfim, você que sabe.
- Sabe, por mais que Becky tenha me falado sobre destino... e eu sei que ela disse a mesma coisa para você e para Seth também, isso não é algo que simplesmente se deixa passar. Foi chocante, o que eu passei ontem. E não é só porque uma coisa devia acontecer que ela é justificável. Isso não é desculpa.
Então repentinamente, Alice parou de andar e falar. Tirou uma bolinha de vidro de seu bolso, que brilhava com uma luz verde.
- O que é isso?
- Locke me deixou essa bolinha. Ela brilharia quando fosse a hora. Vamos atrás de Brett.
- O que ele tem a ver com tudo isso, no final das contas?
- Não sei. Mas Locke viu alguma coisa nele, que não sei. E ele me ensinou coisa demais, para eu simplesmente ignorar o último pedido que ele me fez. Além disso, é pelo bem maior da tal grande profecia, e esse blá-blá-blá todo.
E o engraçado era que o apartamento de Brett ficava bem no caminho que Seth e Alice tinham andado no outro dia. Coincidências da vida.
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A caminho do Hell's, Vivian ligou uma rádio qualquer. Estava tocando Michael Jackson. Fazia cinco meses que ele tinha morrido, e ela ainda não acreditava naquilo. É estranho, a absoluta nenhuma diferença que a morte de um ícone da cultura pop faz em nossas vidas, e ao mesmo tempo a comoção geral que isso causa. Ainda mais nesse caso; se tratava de Michael Jackson. O ícone absoluto de toda uma geração. E no exato instante que a música terminou, os três chegaram ao Hell's Kitchen. Howie abriu a sala de estoque, aonde havia um alçapão.
- Está aqui. É só descer por aqui, e você deve sair no Sonhar.
Reich e Vivian se entreolharam por um momento. Ela sabia o que tinha que fazer, e queria fazer isso o mais rápido possível. Queria apenas que tudo terminasse logo, e ela pudesse voltar para casa e dormir abraçada com Eddie.
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Ao tocarem a campainha, não foi Brett que atendeu, e sim uma garota de grandes olhos azuis brilhantes e maquiagem borrada. Se Eddie tivesse que defini-la com uma única expressão, seria provavelmente "glamour barato". Ele e Alice se entreolharam; quem era ela, e aonde estava o vampiro que Alice queria ver por algum motivo?
- Oi...?
- Hmm... Brett está?
- Não. Quem são vocês?
- Eu sou Eddie, ela é Alice. Diga pra ele que a gente veio então, quando ele aparecer.
- Eu imagino como ele teria saído de casa. Hoje. De dia.
Eddie a cada segundo tinha cada vez mais certeza de que fosse lá o que Brett estivesse arrumando, aquela pessoa ali com certeza era maluca.
- Bem, qual o seu nome?
- Mary, Caillat. É um prazer. - disse, estendendo a mão. Alice simplesmente olhou indiferente, no mínimo esperando que aquela doida entrasse em combustâo espontânea; Eddie, que tinha sido aprendido a ser mais polido, cumprimentou-a. Ela era gelada... provavelmente ela que tinha transformado Brett em vampiro. Mulheres, sempre virando a vida da gente de cabeça pra baixo.
- Foi um prazer. Qualquer coisa, a gente se vê, então.
E saíram atrás de Brett. Mas ele não seria encontrado. Por estar com Jimmy.
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- Se cuide, Vivianne.
- Pode deixar, tio. Até mais, Howie.
- Tchau. Boa sorte.
Vivian puxou o alçapão, e pulou. Caiu por algum tempo, como se fosse uma grande altura. E então estava em uma clareira. Em uma floresta de árvores de plástico.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Capítulo 40: Beat It
Postado por
Luiz Costa
às
08:58
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