terça-feira, 2 de junho de 2009

Capítulo 34: Total Eclipse of the Heart

Alice abriu o pequeno portão com um grampo de cabelo; para ela isso não era um problema. Ela e Eddie andaram pelo pequeno corredor que seguia para dentro da toca, fazendo o máximo de silêncio possível. Então chegaram a uma pequena sala, a porta estava entreaberta, e ali estava Raposa. Como se tivesse os esperando.
- Câmeras de vigilância. Precisariam ser um pouco mais espertos se quisessem me pegar de surpresa. – desligou a televisão com o controle remoto e se levantou da poltrona aonde estava. – Vocês têm alguma coisa para dizer, ou posso acabar com isso logo?
- Não tenha tantas esperanças assim, Raposa. – Eddie respondeu, como se nunca tivesse sido tão sério assim em toda a vida.
- Não são esperanças. São simples fatos. Vocês apenas acham que são alguma coisa.
- Porque Vivian? Porque não podia ter ido logo atrás de mim de uma vez?
- Não seria a mesma coisa. E eu queria ver você sofrer um pouco. Devia ter acabado com ela logo quando tive a oportunidade.
- Você não faria isso.
- Claro que sim. Aquela menina medíocre simplesmente não é nada.
- Assim como você. – Alice, que ainda não tinha dito nada, respondeu. No mesmo instante tirou uma faca do casaco, e a jogou em Raposa.

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Raposa logo ativou sua Rapidez, e se esquivou da faca de Alice como se ela tivesse sido jogada em câmera lenta. Logo puxou duas espadas de trás da poltrona, e foi para cima da ruiva. Mas, ela também tinha Rapidez, assim como Eddie. Graças ao poderoso sangue de Locke que eles tinham tomado. Mesmo não sendo vampiros, e mesmo Raposa sendo consideravelmente poderoso, a luta estava em um páreo justo. Alice pulou para o lado, criando uma distração para que seu companheiro pudesse se preparar. Eddie sabia intuitivamente o que o sangue de Emily tinha lhe dado, e usando os próprios ossos, criou estacas que saíam de seus braços – como as lâminas de Glamour que ele tinha desenvolvido no Sonhar. Tentou golpear Raposa, mas tudo o que conseguiu foi pegar de raspão em seu ombro. E as espadas dele começaram a pingar ácido. Um ácido verde, assim como o da criatura dos tentáculos do Sonhar. Definitivamente perigoso.

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Alice, desarmada, começou a jogar as coisas que estavam ali em cima de Raposa. Primeiro a televisão, depois a pequena mesa que estava embaixo, e também uma cadeira. O vampiro simplesmente ignorava aqueles objetos em suas costas, enquanto lutava com Eddie. Os dois esquivavam e aparavam todos os golpes um do outro; a luta estava praticamente em um impasse. Dependia de quem se cansasse primeiro. Mas então Alice arremessou a poltrona – como ela e Eddie tinham combinado. O peso foi demais para Raposa simplesmente ignorar; Eddie então conseguiu perfurar a barriga do vampiro com sua estaca de ossos. O inimigo pareceu atordoado por um instante, e nesse instante Eddie tentou perfurar seu coração com o outro braço. Raposa segurou a estaca que chegava perto, e a quebrou com uma só mão. Então quebrou a outra que estava dentro de si, e regenerou o buraco em seu corpo como se fosse uma coisinha qualquer.

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Na fração de segundo em que Eddie parou após ter suas duas armas quebradas, Raposa contra-atacou. As suas espadas já estavam no chão; ele segurou o carniçal e o arremessou contra a vidraça que havia ali na sala. Sem conseguir resistir, Eddie apenas viveu cada sensação que passou por seu corpo naquele minúsculo átimo: o choque contra o vidro reforçado, cada caco que entrou em seu corpo enquanto ele atravessava a janela, o vento gelado do fim da madrugada soprando enquanto caía de uma altura de dois andares, e o impacto ao cair no monte de entulho que havia lá embaixo. A dor era tão grande que ele não sentia dor nenhuma, tampouco sensação nenhuma. Como se seu corpo estivesse completamente anestesiado. Fechou os olhos, e viu toda sua vida passando em sua frente. Então era verdade o que diziam sobre a morte.

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Alice olhou chocada enquanto Eddie era arremessado. Talvez eles tivessem mesmo subestimado Raposa, ou superestimado a si mesmos. Mas, não era hora de desistir. Ela acabaria com o maldito vampiro, ou morreria tentando. Rapidamente saltou e pegou as espadas que ele tinha deixado no chão; enquanto isso, seu inimigo criava garras em ambas as mãos. Pingavam o mesmo ácido que havia nas espadas. E Alice então criou um pouco de esperança quando acertou um golpe de sorte – logo na primeira vez em que atacou, decepou uma das mãos do vampiro.

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Eddie estava entre a vida e a morte, pela milionésima vez em um único final de semana prolongado. Mas daquela vez, ele sentia que estava mais próximo da morte do que em qualquer outra ocasião. E também se sentia como se precisasse estar mais vivo do que nunca. Se lembrou de quando era uma criança, e de tudo o que vivera até ali. Dezenove anos era muito pouco tempo para viver. E como diziam, só os bons morrem jovens. Ele se considerava uma pessoa boa? O que era uma pessoa boa? Não importava, não era a hora dele morrer ali. Gastou quase todo o sangue vampírico que tinha em seu corpo para se curar o máximo que podia, então levantou e percebeu que estava em algum lugar do mesmo quarteirão. A janela pela qual Raposa tinha lhe arremessado estava fechada, coberta com um grosso ferro. Fazia sentido, para bloquear a luz solar que mataria qualquer vampiro. Então ele viu o sol nascendo, e viu que aquilo estava fácil demais. Ativou sua Rapidez novamente, e voltou pulando por cima de muros o mais rápido que podia.

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O fato é que mesmo com Raposa sem uma das mãos, a luta ainda estava difícil demais para Alice. Ela claramente não tinha a mesma agilidade ou habilidade que Eddie, e, espadas não eram muito seu departamento. Então, no momento que viu Eddie voltando para dentro, ela teve uma intuição. Usou algum sangue que ainda tinha para aumentar sua força, e chutou o vampiro com toda sua vontade. Raposa se chocou contra a parede, e caiu. Foi uma distração suficiente para Eddie agarrá-lo, e, enquanto ele segurava o inimigo, ela golpeou-o com as espadas o máximo que podia. Raposa tinha que gastar seu sangue para se regenerar, o que manteve a força de Eddie relativamente muito maior que a dele. O carniçal carregou seu inimigo por alguma distância, antes de jogá-lo na rua, sob o sol que nascia. O vampiro apenas teve tempo de gritar um pouco, enquanto queimava freneticamente. Vendo que aquilo tinha finalmente acabado, Eddie suspirou longamente e abraçou Alice. Poderia ir para casa.

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- Eddie... olhe para você.
Em sua coxa, lado do tronco, e no ombro, Eddie tinha ferimentos iguais ao que Ling Ariser estava logo antes de ser engolido pela quimera sombra, ainda na quinta-feira. E não dava pra sentir nada ali. Aquele ácido era diferente do ácido da quimera dos tentáculos; simplesmente queimava sem causar nenhuma dor.
- Alice... pode me levar para um lugar agora?
- Claro, aonde é?
- Para a casa de Vivian. O tio dela pode me curar.
- Vamos.
Eddie entregou as chaves do Porsche de Brett a ela, e simplesmente pediu que ela fosse o mais rápido possível. Fazendo o melhor que podia, ela conseguiu chegar lá em 10 minutos. Os dois não disseram uma palavra o caminho inteiro, de tão cansados que estavam pela batalha. Que tinha sido uma vitória, afinal.

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Ao chegarem à casa de Vivian, Reich estava esperando-os na porta.
- Entre, Eddie. E sente-se no sofá. Vamos dar um jeito nisso. Alice, acorde Vivian, por favor. Ela terá uma surpresa.
Enquanto o mago dizia palavras mágicas estranhas e aplicava umas folhas e pomadas sobre os ferimentos, Alice entrou. Ali, olhou a garota que tanto lhe odiava, por alguma razão qualquer.
- Vivian... – ela abriu os olhos e olhou, espantada com o que via. – Seu namorado está de volta. Vá encontrá-lo na sala. Ela sabia que ele voltaria. Tinha certeza absoluta disso. Pulou da cama, agradeceu a Alice com toda a boa vontade, e ficou parada na porta da sala, sorrindo por ele estar de volta. Ele também sorriu. Tudo o que queria ver no momento era ela.

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