quinta-feira, 23 de abril de 2009

Capítulo 18: Burnin' Up

- Sabe, Vivian... quero apenas cinco coisas. Primeiro é o amor sem fim. A segunda é ver o outono. A terceira é o grave inverno. Em quarto lugar o verão. A quinta coisa são seus olhos. Não quero dormir sem seus olhos. Não quero ser sem que me olhe. Abro mão da primavera para que continue me olhando.
- Ah, que lindo...
- Pablo Neruda. Lembrei na hora que te vi aqui dentro.
- Senti sua falta.
Eddie e Vivian se beijaram, querendo apenas esquecer do mundo. Mas um barulho de explosão logo os lembrou que a realidade não ia embora tão fácil assim.

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Seth saiu para a rua, apenas para ver o que já esperava que aconteceria. E essa postura que ele tinha assumido em algum ponto de sua vida, a de mero observador do mundo, ainda lhe continuava sendo muito agradável. A sua percepção das coisas, que superava qualquer padrão normal humano, era um "dom" muito condizente com sua curiosidade insaciável. E quando viu Raposa em cima de um prédio, se levantando, olhando para trás, sorrindo e admirando o ateliê que tinha acabado de explodir, ele também apenas sorriu. Então Emily Butterfly parou e olhou, simplesmente sem entender nada, depois gritou e correu. E Brett Witter correu atrás. Os carros na rua pararam, e o trânsito da movimentada avenida entrou em colapso. Os bombeiros não conseguiam chegar ao lugar. Minutos se passaram e a situação só ficava mais caótica. E não havia caos nenhum naquilo, era simplesmente a ordem natural das coisas.

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Emily olhava para todos os lados, desesperada, querendo uma solução para a situação. Sua casa, seu lar, seu trabalho, seu refúgio. Como aquilo poderia estar acontecendo?

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Locke reconheceu o barulho das motos que chegavam ali. Era Jack Tequila e mais alguém dos anarquistas, ou seja, a coisa começava a ficar feia. Eles estacionaram, e foram falar com Emily. E Brett, que estava junto com ela naquela hora por um acaso qualquer, se tornaria peça importante para Jack depois. A questão é que isso cheirava muito a Raposa, para Locke. E como ele até gostava de Emily, queria fazer algo a respeito. Olhou ao redor procurando por Alice, precisava dela para começar alguma coisa. Mas não encontrou. Sentiu que tinha chegado a hora dela descobrir o próprio caminho.

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Os dois estavam abraçados, olhando os bombeiros apagando tudo. E Eddie contava o que ele queria dizer desde a noite anterior, o que ele estava começando a falar quando Ling Ariser apareceu.
- Então, é isso. Sei lá o que você pensa de mim agora, mas é isso tudo que aconteceu.
- Eu ainda penso que você é a pessoa com quem eu mais me importo na vida, Edward Reel. E sobre isso tudo, por mais esquisita que seja essa situação, uma hora tudo se acerta e volta ao normal.
- Quer tomar um sorvete?
- Seria perfeito.
E Vivian e Eddie caminharam pela Ocean Avenue. Sentiam tanta falta um do outro, que naquele momento o resto do mundo não importava. Mesmo que ele estivesse literalmente pegando fogo. E sendo assim, algo a ver com todo o Glamour que Eddie estava absorvendo fazia o mundo não se importar com eles também. E ninguém os viu, nem mesmo Locke, ou Seth Daniels Cuervo. Ninguém os viu caminhando pela avenida, despreocupados com o mundo. O amor tinha se tornado um refúgio, o mais seguro possível.

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Brett até se sentiu um pouco especial, quando Emily o abraçou em um momento de desespero. E depois, quando ele conversava com ela, e o tal Jack Tequila que Locke tinha lhe falado minutos atrás. Ele, um simples vampiro recém-criado sem rumo nenhum na vida, conversando com um importante líder. Mas, pensando bem, ele não tinha porque se sentir especial. Isso tudo lhe parecia uma grande bobagem, e tudo que ele queria para se sentir especial de novo era um copo de vodka com sprite, e poder deitar em seu apartamento ouvindo The Juliana Theory em um volume altíssimo.

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Alice andava por aí. Raposa tinha lhe dito para estar no ponto de encontro deles depois que o ateliê explodisse; e Locke para seguir o que Raposa falava, por hora. Mas isso já estava ficando chato demais. Por mais que ela gostasse e confiasse em Locke, continuar se fazendo de capanga não era mais com ela. Então saiu andando por aí, apenas olhando a noite. Até que ele apareceu na sua frente.
- Pois bem, Alice... estava pensando em faltar ao nosso encontro?
A voz dele era simplesmente insuportável. Toda a arrogância possível, misturada com algo de repugnância em relação a tudo. Ela estava cansada de ouvir aquilo lhe mandando fazer coisas, sempre fazer coisas, e coisas que ela não queria.
- Sim, eu estava. Cansei, sabe. - e foi virando as costas para ir embora. Ele apenas segurou seu braço.
- Acho que isso não é uma escolha que você tenha no momento.
- O que você faria então? Sabe que sem mim esse seu planinho não vai dar certo.
- Bem, só me daria um pouco de trabalho a mais, mas daria sim. Porque tudo é muito maior do que você imagina. Entenda uma coisa, garota... você não tem a mínima noção do que acontece no mundo ao seu redor.
Alice tinha falado essa mesma frase para a tal Vivian, no banheiro do Hell's. Talvez por isso ouvir aquilo lhe deixou com tanta raiva.
- Me solta!
- Se eu te soltar, é para lhe matar. Ninguém brinca comigo assim.
- Acho que eu não fui a primeira, e quem brincou com você antes continua brincando.
Ela se referia a Eddie. E para Raposa, falar de Eddie era como cutucar uma ferida ainda aberta. Ele apenas olhou para ela, exasperado, respirando pesadamente, quando uma voz, calma e serena, se ouviu.
- Essa garota não, Michael. Ela está destinada a um papel importante. E eu não posso deixar você machucá-la.
Alice olhou para trás, e viu uma mulher lindíssima, que tinha certeza que já tinha visto em algum lugar. Então piscou os olhos, e estava com essa mesma mulher, em uma praia que lhe era familiar. A praia perto da lanchonete onde trabalhava. Ela adorava ir lá com Locke, e ficar simplesmente segurando a mão dele e olhando as ondas.
- Alice, muito prazer. Meu nome é Becky Summers. E peço desculpas pela pequena viagem inesperada.

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