domingo, 5 de abril de 2009

Capítulo 14: Light Up The Sky

Brett estava tenso, e preocupado com o que tinha feito. O peso do remorso, e a luta constante de seu id com seu superego nas últimas horas estava lhe incomodando. Ele não entendia o que tinha se tornado, o assassino que virou. Por causa de uma única noite com a garota que ele mais desejou por longos anos na escola, a que disse que não podia ser vista perto dele por causa de sua reputação. E ele não conseguia nem tomar um gole de vodka com sprite ali no Kitchen.
Tinha entrado só para dar uma olhada, ver se encontrava Mary e lhe perguntava alguma coisa sobre sua nova condição. Mas ela não estava lá. Já indo embora, quando um pensamento surgiu em sua mente. Uma voz, para falar a verdade.
- Fique aí, não saia não. Terminando o show, vamos conversar. E eu posso lhe explicar o que quiser.
Era Locke quem fazia isso. Telepatia era uma das habilidades do antigo vampiro. E Brett não conseguiria ir embora enquanto não falasse com ele. Uma persuasão sobrenatural também era uma das habilidades do antigo vampiro. Então, sem ter o que fazer, ficou ali. Esperando os minutos que passavam cada vez mais lentos.

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- Pois bem, agora você é um ser imortal. Pode viver... para sempre. - Locke conseguia mascarar suas conversas também. Era um pequeno poder útil, principalmente quando se fala sobre seres que saem a noite chupando sangue, num bar lotado, numa sexta a noite. - Enquanto se alimentar de sangue.
- Mas, sangue de pessoas?
- Por enquanto sim, você é um vampiro recém-criado. Pode se alimentar de animais, ou de pessoas mesmo. Você não precisa matá-las, com o tempo você aprende a se controlar, e tomar apenas o necessário. Tudo vem disso: autocontrole. O que você fez hoje não precisa se repetir.
- E quanto ao corpo trancado no banheiro do meu apartamento?
- Eu posso te ajudar. Na verdade, eu até quero te ajudar.
- Locke, me desculpe se eu parecer paranóico, mas... você sabe... porque você me ajudaria?
- Emily Butterfly. Ela é uma artista, da linhagem dos Toreador...
- Como?
- Clãs. Dizem as histórias que todos os vampiros descendem de alguns poucos, os antediluvianos, os que vieram antes do Dilúvio bíblico. E cada um tinha uma característica diferente, que foi passada para os membros do clã. A linhagem dos Toreador, da qual Emily faz parte, é conhecida por serem os artistas, e tal.
- E qual o meu clã, e qual o seu?
- Eu fui criado como um Toreador, mas eu abandonei o clã e fui seguir meu assuntos. Realmente não me importo com eles, e ninguém aqui se importa muito com essa história também. Quanto ao seu, eu não sei... não cheguei a conhecer a garota que você conheceu ontem. Então você termina sendo um Caitiff, um dos sem clã. Isso não é um problema aqui em Los Angeles, que é um dos chamados estados livres anarquistas.
E Locke contou a Brett sobre a história da cidade. No começo da década de 80, houve uma revolta dos anarquistas contra o príncipe, e foi instaurada uma terra livre. Jack "Tequila", o líder do movimento, convocou uma assembléia, aonde dividiram as áreas da cidade. A única regra era: dentro da área comum, que incluía o centro, e alguns distritos mais movimentados, a lei deveria ser seguida. No resto, cada um fazia o que bem entendesse. E como todos viveram em relativa tranqüilidade, por quase 30 anos já, tudo ficou em paz em Los Angeles.
- Mas o que tem a tal Emily?
- Ela me deve um favor. Então ela faz isso por você, e você fica me devendo uma.
Brett pensou.
- E o que ela poderia fazer por mim?
- Lhe dar um novo rosto, uma nova aparência.
Brett pensou, e hesitou. Aí pensou de novo.
- E ali está ela, acabou de entrar. Continue pensando enquanto falo com ela.

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- Boa noite, Locke.
- Emily... linda como sempre.
E ele não mentia quando falava isso. Ela tinha um tipo físico simplesmente impecável, como uma atriz de cinema, ou algo assim. E ela terminava sendo uma escultura viva, feita por ela mesma.
- Tudo bem com você?
- Tudo ótimo querido, e você?
- Então... eu precisava de algo que você faz melhor do que ninguém.
- E o que seria?
- Um rosto novo. Para o garoto ali, que foi abraçado ontem.
Emily olhou para Brett, visivelmente infeliz consigo mesmo e com o rumo que tudo estava tomando.
- O que aconteceu com ele?
- Matou o porteiro do prédio dele, por causa da fome.
- E não teriam jeitos mais fáceis de resolver isso? Eu mesma consigo ver vários.
- Mas, aí quem fica me devendo um favor é ele, e não mais você. E eu simplesmente não poderia te pedir para fazer o que eu preciso que alguém faça. Bem, ele é o indivíduo perfeito para meu plano.
- Ai ai Locke, só você... tudo bem, então. Me apresente a ele.

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Raposa olhou para o ateliê, e sorriu. Ela era realmente boa no que fazia. Mas, a arte ainda lhe parecia algo insignificante diante de assuntos mais sérios. Então, sorriu de novo, desta vez para o controle remoto em sua mão, e apertou o botão.

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- Algum problema quanto a isso, Brett?
- Vários. Mas, se eu não tenho outra escolha...
Ele já começava a aceitar o fato de que nunca mais seria o mesmo. O que era um tanto perturbador.
- Eu prometo que faço no capricho - Emily disse, em tom de brincadeira.
- Ah, tudo bem... quando vamos ter que fazer isso?
- Bem, hoje eu não tenho nenhum compromisso, então se quiser, vamos até o meu ateliê agora.
- Claro, claro.
Brett topou com Eddie quando saía do bar, os dois trocaram um aceno de cabeça, e ele saiu com Emily. "É ali na frente, pertíssimo", disse ela. E ele se lembrou, já tinha passado por ali várias vezes. Talvez por isso que o rosto dela não lhe era estranho. E o lugar era legal, uma casa diferente das que haviam ali na Ocean Avenue. Já iam atravessando a rua, quando repentinamente um barulho ensurdecedor aconteceu. O ateliê explodiu. Fogo, pessoas gritando, trânsito começando a parar. O caos começava ali.

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