terça-feira, 28 de abril de 2009

Capítulo 21: The Times They Are A-Changing

- E aí? - ela vinha dizendo, desviando o olhar, com as mãos nos bolsos da jaqueta.
- Alice, certo?
- Sim... Eddie?
- Muito prazer.
Ele olhava intrigado, sentado no chão, abraçando as pernas, olhando para aquela pessoa que lhe parecia estranha; enquanto ela buscava alguma coisa pra falar. E demorava nessa busca.
- Parece que alguma coisa nos trouxe aqui, então.
- Você encontrou Becky?
- Sim. - e pela primeira vez, Alice olhou nos olhos de Eddie. Os olhos dela eram resolutos, apesar da timidez em relação a ele. E os dele pareciam conformados, e melancólicos como estavam os de Vivian. - Pois então, parece que você ia me guiar para algum lugar. Ou coisa assim.
- Vamos andando, então.
- Para onde?
- Não sei.
E saíram andando sem saber para onde, naturalmente. E quando não se sabe para onde se anda, qualquer caminho serve. O própria ordem com qual funciona o acaso lhe guia para onde você incoscientemente quer ir. E os caminhos são maiores, exatamente por não serem limitados.

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Eddie foi descobrindo que tinha alguns fatos aleatórios em comum com Alice. Os dois gostavam de sangue de vampiro, os dois fumavam Lucky Strike Nites, os dois odiavam televisão e por isso nem tinham em casa, e o filme favorito dos dois era Lords of Dogtown. Pequenos fatos que ajudavam a descontrair aquele clima de urgência e estranha responsabilidade perante ouvir algo do tipo "você será importante nessa história", e coisas assim. Mas era um pouco engraçada aquela idéia, pelo menos. Quando se tem responsabilidades, a vida fica meio que mais alta. E do alto tudo aumenta, e do alto a vida aumenta.

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O Duque. Era o Duque Ariser que estava na cabeça dele. Por mais que não tivesse o conhecido, aquele Glamour lhe dizia que aquilo era parte dele, que Eddie tinha absorvido aquilo ao entrar na cabana no Sonhar. E toda aquela energia precisava voltar ao Sonhar. Eddie não poderia viver guardando tanto Glamour assim, ele precisava se libertar do que estava prendendo aquilo a ele. E precisaria voltar ao Sonhar para isso. Muito em breve.

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- Sabe, Eddie, acho que você deveria falar com Locke.
- Quem é Locke?
- Um amigo meu. Vampiro. Ele parece entender das coisas, sabe. E alguma coisa diz que ele pode te ajudar.
- E aonde encontramos ele?
- Bem, o caminho que a gente está fazendo sem saber pra onde anda é o que leva pra casa dele. Acabei de perceber.
- Então, parece ser o que tem que ser feito.
E a surpresa dos dois após andar mais um pouco foi que ele estava na porta. E esperando por eles. As coisas pareciam estar sincronizadas demais, num nível totalmente além do normal. Mas a corrente dos acontecimentos as vezes toma rumos que parecem forçados, e por mais que possa parecer além do normal, é natural ao menos.

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- Sabe, garoto... acho que você tomou meu sangue.
- Como?
- Ontem, no final da tarde. Por algum motivo eu percebi uma ligação com alguém, igual a que eu sinto com Alice. E quando eu senti que vocês dois estavam vindo para cá, eu vim também.
- Pois então... se eu vim para ver você, deve haver algum motivo. Sabe qual?
- Bem, se isso for a concretização de uma alegoria que leva a uma sabedoria maior, só posso te ensinar uma única coisa. Siga seus instintos. Comigo funcionou por cerca de mil anos.
- Sério?
- Sim. Ou seja, o sangue que Alice tomou, e que você também, carrega habilidades muito fortes. Use-as com sabedoria em sua jornada.
- Bem, então eu vou indo. Boa sorte para vocês. - Eddie sorriu para Alice enquanto dizia isso. Ele gostava dela, de alguma forma estranha. Como uma irmã que só se conhece depois de muito tempo.

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Ele então começou a correr, com um sentimento de que ia explodir a qualquer momento. E isso era uma coisa boa, dava-lhe força, energia, clareza. Bem, ele precisava ir para o Sonhar, mas como? Já tinha ido uma última vez, com uma quimera qualquer. E ele se sentia também ligado a ela agora, como se uma parte das sombras tivesse ficado nele. E ele sabia que ela estava na Ocean Avenue, então ele correu mais ainda para pegá-la. Correndo, o mundo parecia visto do alto. E do alto tudo aumenta, e do alto a vida aumenta.

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Passando pela avenida, a primeira vista tudo parecia exatamente igual a como estava a uns tantos minutos atrás. Mas no fundo, Eddie sabia que havia algo diferente. Parecia haver alguma mobilização em algum sentido. As pessoas se moviam por algo maior. Ou talvez fosse só impressão. Então ele viu a Sombrinea dentro do ateliê (ou do que costumava ser um ateliê). Aproximou-se da barreira policial, abriu os braços, viu a quimera vindo em sua direção, então fechou os olhos. Quando os abriu, estava deitado no meio de uma clareira, em uma floresta de árvores de plástico.

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Howie voltava do parque, afinal, ele queria ainda falar com Reich. E ele viu Eddie de braços abertos, e a Sombrinea indo pegá-lo. Então, quando ela foi engolir ele, a quimera se desfez em pedaços de Glamour branco. E assim como Eddie, a Sombrinea sumiu.

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