Brett arrumou pelo menos uma coisa para se confortar: ele poderia ficar com seu rosto. Steve, o cara que chegou com Jack, conseguia dar um jeito em qualquer coisa que surgisse quanto ao seu pequeno problema com o porteiro. Isso graças a Emily, que tinha de alguma forma desenvolvido uma ligação com ele, e com isso vêm os favores, e a vida continua. Ele continuou ouvindo o que Jack Tequila tinha a dizer, e esperando o fluxo das coisas voltar.
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- Quero duas casquinhas com duas bolas de passas ao rum, por favor.
- Ah, você nunca esqueceu o meu favorito...
- Claro Vivian, é o mesmo que o meu. - Eddie respondeu, e sorriu. Era bom estar com ela novamente.
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Locke sentiu-se cansado, pela primeira vez em muito tempo. Ele estava mais sozinho do que nunca, e o mundo parecia exigir demais dele. Exigir não é a palavra certa na verdade, mas ele se sentia tendo que fazer mais coisas do que de costume. Uma idéia lhe veio a cabeça: ir embora. Sair de Los Angeles, sair de lugares aonde há cidades, e ir para outro lugar. Para o meio da neve, talvez. Por mais que ele não conseguisse viver do sangue de animais, poderia dar um jeito. Tornar a caça mais difícil de propósito. Mas ainda precisava colocar um desfecho nessa pequena situação que se desenrolava. Olhou para Jack Tequila, e foi falar com ele. Ainda poderia ajudar a eles de alguma forma.
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Vivian lembrou-se do primeiro sorvete que tomou com Eddie, uma semana depois que eles se conheceram. Ela estava absolutamente ansiosa por esse dia, para vê-lo de novo. Ela não sabia exatamente o que lhe atraía nele, mas parecia ser algo a ver com o olhar, ou o jeito que ele falava. Ele realmente sabia como conversar com alguém. E ela passou duas horas escolhendo uma roupa, algo que não parecesse muito estranha, mas também muito normal. Afinal, ela queria chamar a atenção dele de alguma forma. Pela primeira vez na vida ela quis ser notada por alguém. E quando ela entrou na sorveteria e viu ele sentado ali, fazendo uma flor de papel, se sentiu com sorte. E a flor que ele fez para ela ainda estava guardada na gaveta. No começo os dois estavam meio tímidos, conversando sobre coisas banais, mas depois o papo começou a fluir, mais naturalmente inpossível. Foram andar pelo parque, ele foi levá-la em casa. E ele a deixou, com um beijo na testa, e um "de noite eu te ligo". E ligou mesmo. E ela não conseguiu dormir direito aquela noite, de tão elétrica que estava.
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Reich Crow não estava em Seattle, como tinha dito para sua esposa. Ele se recolheu em um pequeno monastério, nos arredores da cidade, para encontrar seus companheiros da Irmandade. Ele tinha ficado cansado demais, após lutar com o Raposa. E foi interessante, pois ficou sabendo de coisas que não sabia. O que estava começando a acontecer na cidade era apenas parte de algo maior, lhe disseram. E então ele ficou sabendo do ateliê de Emily, uma velha conhecida sua. Resolveu voltar na hora. Logo ao chegar na Ocean Avenue, viu ela conversando com mais três pessoas que não tinha a mínima idéia de quem fossem. E ele foi o quinto a entrar na roda.
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Seth continuava observando de longe a rodinha mais improvável de todos os tempos: um vampiro recém-criado, um vampiro de mil anos, uma artista plástica, o líder anarquista da cidade, e um mago velho. E como ele ouvia a conversa, conseguia dizer com certeza absoluta que eles estavam um tanto errados. O que eles pensavam não tinha muito a ver com o que realmente tinha acontecido. E Michael Raposa Forwell era de certa forma inocente.
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Howie tentou voltar ao bar para dar um jeito em tudo após a explosão, mas a cabeça dele estava cheia demais. Passaram-se uns tantos minutos, e ele voltou para fora. Foi quando olhou para o ateliê, e viu uma sombra parada ali. Devia ser a Sombrinea que Becky tinha lhe falado a respeito. Só podia ser ela, ele incoscientemente sabia sem dúvidas que era ela ali. E ele não tinha a mínima idéia do que fazer a respeito, ou se havia alguma coisa para se fazer a respeito. Viu Reich Crow, junto de pessoas que não exatamente conhecia, e foi falar com ele.
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Eddie também lembrou-se do primeiro sorvete que tomou com Vivian, logo após se conhecerem. E a coisa que mais marcou sua lembrança é que ele estava absurdamente nervoso. Ele não tinha a mínima idéia de como tinha conseguido sair com ela, a menina mais linda que ele já vira em toda a vida. E não que tivesse medo de fazer tudo errado, mas, por algum motivo, ele simplesmente não conseguia ficar exatamente confortável. Na manhã desse dia, ele tinha acordado 8 da manhã, ficado sem o mínimo sono. E ele fumou dois maços inteiros de cigarro apenas na manhã, só por causa da expectativa. E ele nunca viu ela mais linda do que no momento que entrou na sorveteria, com uma blusinha branca, sandálias, e uma bolsa a tiracolo. E naquele momento ela o olhou, e ele sabia que estava feliz. Sem qualquer motivo além da simples presença dela ali.
- Vivian, eu acho que tem alguma coisa errada acontecendo.
- Como?
- Meu Avatar está me dizendo. E ele costuma não errar. Vamos sair daqui.
E Eddie levantou impaciente. Ele tinha que protegê-la. Foi pagar os sorvetes, "e um maço de Lucky Strike Nites, por favor". A noite começava a ficar tensa de novo. Pegou a mão de Vivian, e saíram seguindo a intuição dele.
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Alice achou engraçado, a idéia de que alguém pudesse lhe dizer seu destino. Mas tudo o que Becky dizia fazia tanto sentido, que ela começou a levar isso a sério. Mesmo sendo do tipo que nunca acreditou em horóscopo, ou tarô, ou coisas do tipo. E então Becky lhe mostrou o céu alaranjado que a esperava no domingo, após tudo o que ainda havia para acontecer. E vendo tanta beleza ali, ela acreditou no que ouviu. Saiu caminhando, apanhou uma flor amarela numa árvore qualquer e foi fazer o que tinha que ser feito.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Capítulo 19: Orange Sky
Postado por
Luiz Costa
às
13:31
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