Andar com seu tio até que estava agradável, considerando que ela sentia absurdamente a falta de Eddie. Ele tinha sumido na semana anterior, e nas duas vezes que os dois se encontraram na quinta e na sexta, conseguiram passar apenas alguns minutos juntos. Mas então ela chegou a Ocean Avenue, e ficou respondendo a inúmeras perguntas, sobre Eddie, e Raposa, e Alice, e coisas que ela não se importava em responder. E um tanto chatas, do mesmo jeito. A vida estava um tanto sem cor naqueles minutos. Então, quando lhe disseram que podia ir embora, ela foi. Foi para casa tentar dormir. Dormiu bem, mais por cansaço do que falta de coisas para se preocupar. Dormiu com os anjos, e sonhou com seu namorado.
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- Tem alguma coisa a dizer sobre o que aconteceu aqui, Michael? – Jack respondeu para Raposa quando ele chegou.
- Depende do que você quer saber.
- Você conhece as leis aqui, certo?
- Sim. Manter a Máscara, e não mexer com nada nas áreas que você marcou no mapa, vinte anos atrás. – Máscara se referia ao acordo entre os vampiros de esconder sua existência dos mortais. – Se bem que, achei que em um estado anarquista não houvessem leis.
- Não é bem assim, você sabe.
- Sim, eu sei. - Brett se sentia profundamente incomodado pela presença daquele cara ali. Era o tipo de pessoa que tornava qualquer ambiente desagradável.
- Michael, seja sincero. O que você fez esta noite?
- De mim você não vai tirar nada, sabe disso.
- O que veio fazer aqui então?
- Passear. Saber como estão as coisas.
Brett conseguia ver, Jack Tequila estava para explodir de raiva. E Emily também, apesar de ficar quieta o tempo inteiro. Ele ouviu mais um pouco de farpas trocadas dos dois lados, e então o tal Michael foi embora.
- Quem é ele, Jack? – Brett perguntou.
- Michael Forwell, mais conhecido como Raposa. Maior traficante de heroína de Los Angeles, e um dos vampiros mais poderosos e influentes da cidade. Como se fosse um chefão do mal, ou coisa assim.
Brett se colocou a pensar, a visão que Jack tinha do mundo era um tanto distorcida. Cego pelos próprios ideais de liberdade para todos, ele parecia querer forçar sua idéia a outras pessoas. Quem era ele para querer fazer aquilo? A imagem de figura importante que Brett tinha criado a respeito dele começava a se desfazer; Jack parecia agora apenas mais um escroto. Assim como o tal Raposa.
Brett se lembrava dela claramente. A menina do all-star cáqui que ele tinha visto na véspera, à tarde. E ele não tinha falado nem uma palavra sequer na presença dela. E nem falaria naquela ocasião também. Ficou sem escutar uma palavra do que ela dizia, hipnotizado pela beleza fora do comum presente ali.
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- Reich...
- Howie. Um prazer revê-lo. Junte-se a nós.
- Não, queria conversar em particular... pode ser?
- Tudo bem. – e os dois saíram para dar uma pequena volta.
- Lembra quando a Sombrinea estava ali, né? – Howie sabia que Reich era um Parente das fadas, por isso via quimeras. O velho mago olhou para o ateliê; a Sombrinea tinha sumido. – Eddie acabou com ela.
- Como?
- Não sei, foi um momento meio aleatório. Do nada eu vi ele de braços abertos, então a Sombrinea foi pegá-lo, e ela se desfez. Em pedaços de Glamour branco. E o Eddie sumiu.
- Ele voltou para o Sonhar – Reich disse, depois de pensar algum tempinho.
- O que ele foi fazer lá?
- Alguma coisa que só ele poderia fazer. Além de parar a estrela.
- Qual estrela?
- Percebeu uma estrela vermelha no céu, algum tempo atrás?
- Sim.
- Ela está caindo em cima de nós. Agora não mais porque Eddie foi para o Sonhar, e a estrela o segue. Mas quando ele voltar, a estrela vai voltar junto. A não ser que ele a pare antes.
- Entendi.
- Muito obrigado pela informação, Howie. Me ajudou a ligar alguns fatos isolados que eu tinha. Agora o que temos a fazer é esperar, e desejar boa sorte a ele. E cuidar dos nossos assuntos, porque ainda há muito o que acontecer por aqui.
- A gente se fala, Reich.
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- Vou dar uma volta então. Ver se consigo mais alguma coisa.
- Boa sorte, Jack. E muito obrigado. – Emily disse, o abraçando. E Brett não deixou de sentir uma pontinha de ciúmes. E parece que logo trinta segundos depois de Jack Tequila ir embora, chegou Seth. Aquilo estava bizarro demais para Brett. Era como se o mundo fosse pequeno demais, e todas as pessoas que ele conhecesse tivessem alguma ligação com essas maluquices sobrenaturais que estavam pipocando a cada momento.
- Então é assim: - Seth chegou dizendo – eu sei o que vocês querem saber. Mas tudo tem um preço.
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Seth havia pensado muito a respeito da curiosidade ultimamente. Podia-se dizer que curiosidade era a característica que melhor definia a espécie humana. Além do cérebro com capacidade teoricamente infinita de aprendizado, e o polegar opositor. Mas isso eram questões biológicas. Agora, de onde veio a curiosidade, se não pela evolução? Ou ela veio pela evolução? Indivíduos curiosos teriam mais chance de sobreviver e se reproduzir e passar seus genes de curiosidade adiante?
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- Primeiro: qual o seu nome, jovem?
- Pode me chamar de Seth, senhor Reich Crow.
- E qual seria o preço que você pede por o que a gente quer saber?
- Favor se paga com favor.
- Eu não costumo negociar nesses termos, Seth. Sinto muito.
- O que é um favor para você? – Emily respondeu, praticamente ignorando o que Reich tinha dito a Seth.
- Não sei. Algo que eu precise em uma hora oportuna.
- Quem explodiu o meu ateliê?
- Raposa. A mando de alguém.
- Quem é esse alguém?
- Chris. Você o conhece.
Emily ficou em silêncio, aparentemente chocada. Alguns momentos depois, disse:
- Vamos dar uma volta, Brett?
- Claro.
E os dois saíram, e deixaram Reich e Seth ali. Os dois se olharam por um momento, uma visível tensão no ar. E cada um seguiu seu lado. Aquela rodinha que tinha se formado próxima ao cerco policial se desfazia ali.
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Enquanto Alice voltava para casa, ela ficou pensando no último pedido que Locke tinha lhe feito. Era algo realmente simples, e ela estaria livre para sempre. Ele tinha dito que não podia mais permanecer perto dela. Para seu próprio bem. E também, ele queria ir embora. Ela devia viver a própria vida. De volta a ser uma pessoa normal. Viver indefinidamente não era o que podia ser chamado de vida. A vida não era completa sem a morte. Pessoas pensavam constantemente que a morte era o contrário da vida, mas não, eram apenas partes de um ciclo. Alice acreditava em reencarnação. Ela gostava de pensar que em vidas passadas poderia ter sido outras coisas, como uma atriz de teatro, escritora, caçadora, ou uma águia. Ela gostaria de ser uma atriz de teatro. Por isso, terminou entrando em um curso de artes cênicas logo na segunda-feira que seguiu aquele final-de-semana. Mas enfim, viver uma vida longe de Locke parecia ser uma boa idéia. Por mais que ela gostasse dele, e ele tivesse sido uma peça crucial em sua vida, seria bom estar livre novamente. Aquilo estava a desgastando, mais do que podia suportar. Ela queria ser totalmente independente de novo. E precisava fazer uma última tarefa. No domingo de manhã. Ou seja, tinha muito tempo livre pela frente ainda. Foi para casa, e dormiu. Dormiu com os anjos, e não sonhou com nada.
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Capítulo 29: A Lack of Color
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- Jack, esta é Vivian, minha sobrinha. E namorada do Eddie. Vivian, estes são Jack, Emily, e Brett.
Brett olhou para o cara que chegava. O que o gerente do Hell’s Kitchen teria a ver com aquilo?
- Eddie entrou no Sonhar agora pouco. Parece que cada um tem que cuidar da sua vida, agora. Não há o que fazer, Jack.
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Luiz Costa
às
20:14
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