- Você por aqui... – disse, ainda sorrindo em vê-la novamente.
- Boa noite, Edward. É um prazer encontrá-lo de novo.
- O prazer é meu, Becky.
- Como foi sua jornada?
- Bem, quase morri, causei um pouco de estrago, vi alguns lugares belíssimos, e pensei bastante na vida. Foi proveitoso, sabe.
- Que bom. Lembra de quando lhe contei seu destino?
- Sim, claro. No castelo de vidro. Que eu ia ser recusado, expulso e exilado; teria a vida que sempre quis, encontraria um modo de moldar meu universo, e mantê-lo para sempre; teria o amor perfeito, e daria um amor-perfeito; e andaria pelos meus sonhos.
- Existe uma segunda parte. Não é meio estranho o fato de que você já passou por todo o seu destino?
- Faz sentido. E você sabe a segunda parte?
- Eu sempre soube. Só não podia lhe contar antes. Você verá a morte no terceiro dia, e vai encontrá-la de novo no quarto. Mas, antes de partir com ela, vai salvar aquilo que ama, aquilo de que não gosta e aquilo que nem conhece. E nesse ato encontrará a satisfação que nunca teve.
- E você não sabe o que exatamente isso significa, certo?
- Nem vou chegar a saber.
- Como assim?
- Eu preciso ir embora. O mundo não é mais o meu. Sabe, fico feliz de ter lhe encontrado, Edward. Parece que eu ajudei alguém de verdade. E nisso tive um propósito. Então, até logo.
- Até.
Eddie esperava que ela virasse e saísse andando, mas não foi isso o que aconteceu. Ela tocou seu braço por um momento, e simplesmente começou a se dissolver com a brisa que batia. Dela saíam pedaços em formas de raios, lentos no começo, mas depois mais rapidamente. Isso enquanto ela dizia “Eu vou estar em você, Edward, e em Vivianne, e em todos que você quer bem; e no vento, e no sol, e no ar, e nas estrelas.” – foi realmente algo que passava de qualquer limite de surrealidade que podia ter visto no Sonhar. E então, aconteceu algo mais inesperado ainda: os últimos raios, os mais rápidos de todos, começaram a voar para cima; olhando para cima, Eddie viu a estrela vermelha, realmente grande e um tanto perto, e com certeza os raios voavam em direção a ela. Como se estivessem a bombardeando várias vezes, a estrela explodiu. Foi simplesmente a coisa mais impressionante que ele tinha visto, ou viria, a vida inteira. Como uma supernova, luz e Glamour voaram para todos os lados. Foi um belo clarão de raios brancos e vermelhos, que quando atingiram Eddie o fizeram se sentir mais vivo do que nunca. Ficou olhando maravilhado, antes de se sentar e começar a pensar sobre a própria morte.
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Mark, ao acordar no domingo às 4 da tarde, se lembrou da explosão no céu que tinha visto na noite do dia anterior. Foi simplesmente a coisa mais impressionante que ele tinha visto naquela noite que também tinha sido simplesmente impressionante. E ficou feliz quando, ainda deitado na cama, Rachel entrou no seu quarto de surpresa para lhe perguntar se ele tinha visto a tal da “Champagne Supernova”. Era a notícia sensação dos intervalos da TV, uma misteriosa explosão que tinha sido testemunhada por milhares, talvez milhões, mas por alguma razão, não apareceu em nenhuma foto ou gravação de ninguém. Pessoas comuns na rua falavam sobre o que tinham visto, e o canal prometia para de noite um especial com a presença de cientistas falando sobre possíveis causas do acontecido. Mark sinceramente não se importava com nada do que passava na televisão. Ele tinha visto, ao vivo.
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Ao se sentar, Eddie contemplou o céu, agora violeta depois da explosão. As estrelas brilhavam ainda mais. Ver a morte no terceiro dia, seria o que aconteceu no lago e com os lagartos no deserto? E vê-la de novo no quarto, para partir. Então seu destino era isso, ia ter mais aquela noite, e morrer. Para salvar aquilo que ama, o que não gosta, e o que nem conhece? Valeria a pena? Certamente sim, por uma única razão. Vivian. Naquela noite, ele sabia isso mais do que nunca. Mas tinha essa parte dos outros, e de quem nem conhecia. Eddie contemplou sua vida, e viu o que tinha feito dela nos últimos tempos: festas. Recebia pessoas em sua casa praticamente todos os dias. Sem parar. E todos pareciam felizes. Na verdade, todos eram felizes ali. Repentinamente, Eddie percebeu que tinha uma vocação na vida: a de satisfazer os outros. E aquilo o satisfazia também; tudo o que ele sempre quis a vida inteira foi ver as pessoas ao seu redor felizes. A felicidade dele dependia disso, no final das contas. Então, ele faria o que tivesse que ser feito. E por isso, até morreria. Ao se levantar com uma pose heróica, viu um navio se aproximando da praia. Ele sentia que devia esperar ali. Então, quando o navio parou, dali desceram três piratas. Três piratas esqueletos.
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- Edward Reel. O garoto da profecia.
- Saudações – foi a melhor resposta que ele conseguiu dizer para um pirata esqueleto.
- Meu nome é Morte – o pirata que se apresentou continuou falando. - Esse é Oculto, e esse é Inimigo.
Eddie notou algo no rosto (ou crânio?) do Inimigo. Era como uma caricatura de Raposa, perfeitamente reconhecível. Imediatamente perguntou sobre o fato.
- Nós somos diferentes para cada pessoa que olha para nós.
- E têm os rostos de pessoas que eu conheço?
- Ou que ainda vai conhecer. É como diz a profecia.
Olhando para Morte e Oculto, ele não conseguia reconhecer ninguém. Mas se Raposa era seu inimigo, então pelo menos ele já poderia saber quem ia matá-lo, quando encontrasse essa pessoa.
- E o que significa o Oculto?
- Quem está por trás dos eventos que têm acontecido.
- E vocês não sabem quem é, certo?
- Não. Isso cabe a você, garoto.
- Então qual a função de vocês aqui?
- Achei que você tivesse entendido. – Morte respondeu. – Quando encontrou o velho do pântano. Ele é apenas mais uma entidade, como eu, Oculto, e Inimigo. E não somos nós que temos uma função para você; na verdade o que acontece é o contrário.
- O que posso fazer por vocês, então?
- Precisamos de uma bússola, Edward. Acha que pode conseguir isso?
- Se é o que eu tenho para fazer.
- Estamos lhe esperando. Boa sorte em sua nova jornada. Eddie olhou uma última vez para os três piratas, e foi-se. Mais uma vez ele tinha ouvido que tinha uma jornada a fazer; e aquela provavelmente seria a última. Era hora de conseguir uma bússola; era hora de tratar dos assuntos mundanos.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Capítulo 31: Champagne Supernova
Postado por
Luiz Costa
às
08:22
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