sábado, 30 de maio de 2009

Capítulo 32: Journeyman

Duas das pessoas que Eddie mais admirava tinham se ido. Ling Ariser ele conhecia desde que começara a freqüentar o Hell’s Kitchen; já Becky Summers ele tinha encontrado pela primeira vez dois dias atrás. E mesmo que ele nunca tivesse sabido da verdadeira natureza de Ling até o momento em que ele morreu, Eddie sempre imaginaria ele exatamente como um nobre da corte das fadas. E ele tinha se ido. Para sempre. Então ele estava caminhando de volta à Ocean Avenue; queria falar com uma das pessoas que conheceram tanto Becky como Ling melhor do que ele. E também saber porque tudo estava parado. Aquela avenida definitivamente não estava normal. Eddie bateu na porta fechada do Kitchen uma, duas, três vezes. Então Howie, a pessoa que ele queria mesmo ver, abriu.

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E o que seria do Hell’s Kitchen agora? Aquele era um dos poucos lugares em que Eddie se sentia realmente à vontade. Não poderia acabar, assim. Mesmo que aquele fosse o penúltimo dia de vida dele, Los Angeles seria uma cidade um tanto mais chata sem o Hell’s Kitchen. E já que ele estava salvando aquilo que ama, tomar uma atitude quanto ao bar seria apropriado. Mas isso não cabia a ele, cabia a Howie. E a um eventual testamento que Ling tivesse deixado. E Eddie intuitivamente sabia quem tinha que ver depois de Howie; quem lhe arrumaria a bússola que os piratas pediram. E ele estava ali por perto da Ocean Avenue, sua Consciência lhe dizia (“a capacidade dos magos de perceberem o sobrenatural”). E não estava com Vivian, infelizmente.

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Se Eddie ainda tinha alguma idéia ou perspectiva sobre o que era a “realidade comum”, Reich acabara com ela facilmente. Era como se tudo estivesse se desfazendo. Era como se o status quo das coisas fosse apenas uma grande brincadeira, e Eddie tivesse que viver situações bizarras, uma atrás de outra, sem nenhum motivo aparente. Apenas porque ele era um escolhido. E ele tinha escolha? Pegar um avião e fugir de Los Angeles para sempre? Era uma alternativa, mas não, ele tinha seu maldito senso de dever. E o pior é que ele sabia com toda a certeza que estava fazendo a coisa certa. De volta à praia, contemplou o céu violeta mais uma vez, conversou com Morte, Inimigo e Oculto, e despediu-se deles. Esqueletos piratas, nunca mais.

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Reich tinha lhe dito aonde ele precisava ir. E era longe. Bem, a apatia daquela situação lhe tirava qualquer senso de urgência que pudesse ter. E, em um instante, ele viu um simples mortal andando. E um cara, que ele conhecia, pronto para atacar. Vampiros atrás de sangue. E lembrando-se do que Becky lhe disse, “salvar o que nem conhece”, Eddie correu e segurou o vampiro. E depois que o mortal passou, eles conversaram. E aí Eddie conseguiu um jeito mais fácil de chegar aonde devia.

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No final de uma alameda, havia uma pequena rua sem saída interditada. Ela apenas parecia sem saída na verdade; algum tipo de magia de ilusão ocultava o verdadeiro lugar das pessoas comuns. Era só subir a rua sem saída como se ela não fosse uma rua sem saída, e se chegava a uma praça gramada, com um quiosque no meio. E ali acontecia uma reunião. Algumas pessoas que Eddie nunca tinha visto, e entre elas, duas que ele já vira. Oculto, e Morte. Morte parecia ser o líder da reunião, mediador das discussões; e Oculto era como o antagonista. Bem, não existia essa história de bonzinho ou malvado, ainda mais no mundo dos vampiros. A verdade é que quando Eddie entrou no recinto, o clima da reunião mudou. E todos os holofotes se voltaram para ele.

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Não. Ele tinha escapado da morte três vezes já. E Becky tinha lhe dito que ele partiria apenas no quarto dia. Ou seja, não era uma simples estaca em seu peito que ia acabar com sua vida. Antes que qualquer um pudesse vir lhe ajudar, Eddie arrancou a estaca e saiu dali. A mulher com cara de atriz veio falar com ele, e lhe deu algo precioso. Porque Morte e Oculto não lhe interessavam mais, era hora de ir atrás do Inimigo. Raposa ainda tinha uma dívida séria com ele. E o dia do pagamento tinha chegado.

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“Eddie!”, ele ouviu enquanto dirigia. Imediatamente parou e sorriu. Era a pessoa que poderia ajudá-lo em sua tarefa. Ele poderia acertar tudo sozinho, mas seria um tanto mais difícil. E Eddie se identificava com ela, faria sentido os dois fazerem isso juntos. Conversaram durante o caminho, alguns rudimentos de estratégia. E quando o relógio marcou dez para seis da manhã, Eddie e Alice entraram. Na toca da raposa.

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